Memória e História

Galeria de Fotos Memória e História

Vídeo Pioneirismo

Vídeo Energia Elétrica em Mirante do Paranapanema

APRESENTAÇÃO

Com este resgate histórico de Mirante do Paranapanema buscamos contribuir para que seja contemplada uma interpretação integral das organizações e transformações do espaço geográfico deste Município. Pretendendo assim ultrapassar as identificações e descrições de fenômenos físicos e humanos compartimentados e fragmentados, que muitas vezes ocultam a constatação da realidade. Sistemas gráficos e representações quantificadas, com números, tabelas complexas, e estatísticas pormenorizadas, exigem determinadas habilidades de interpretação que nem todas as pessoas interessadas possuem. Nosso objetivo está sendo, através de uma linguagem simples e prática, decodificar e dar significados às informações obtidas com o maior número de agentes que construíram e constroem essa história.

Ao longo dos últimos dez anos, montando um verdadeiro mosaico, buscamos resgatar em parte a memória e história deste Município, sabedores de que existem, para os mesmos acontecimentos, mais de uma de uma história e que nenhuma é mais verdadeira do que as outras. Todas as interpretações são intencionais, ou seja, são a partir de um ponto de vista.

Procuramos resgatar, além da memória escrita e visual (icnográfica, como fotos e filmes) a memória oral, os registros que somente encontramos nas mentes das pessoas, que viveram acontecimentos do passado e que muitas vezes, acabam ficando no anonimato. Agentes esses que até hoje se quer tiveram seus nomes citados em qualquer histórico deste Município, mas que em muito contribuíram para a configuração e construção deste povo. Trabalhando com suas lembranças, recordações e suas saudades, pudemos reconstituir um passado que deixou profundas marcas, alegrias, tristezas, sucessos e fracassos. Não esquecendo de que muitos dos quais contribuíram para este trabalho, não se encontram mais em nosso meio, mas antes disso, deixaram suas contribuições.

O nosso maior desafio ao longo do tempo, foram buscar entender as contradições na organização e transformação do espaço geográfico e a necessidade inevitável que, em determinados momentos, tínhamos que decidirmos, sob nossa ótica e interpretação, as memórias que deveriam se transformarem em história.

 

A REGIÃO DO PONTAL DO PARANAPANEMA

A história de Mirante do Paranapanema faz parte das condições econômicas, sociais e políticas construídas no processo de organização da região do Pontal do Paranapanema, desde a sua colonização. História esta, marcada por uma ocupação humana predatória e por constantes conflitos sociais pela posse da terra. A região ficou conhecida como um "barril de pólvora", devido à violência e atrocidades: inicialmente pelas "grilagens" de terras e mais recentemente pelas lutas entre fazendeiros e o chamado "Movimento Sem-Terra". Em decorrência desses acontecimentos gerou na região uma ocupação predatória, onde a busca pelo lucro imediato, se tornou a condição mais adequada para a acumulação da riqueza. Esse processo acabou transformando a região numa das regiões mais pobres do Estado de São Paulo; região , que convive com uma alarmante degradação ambiental, violência e graves problemas econômicos e sociais.

A região em si reflete um pouco a realidade brasileira: a omissão do Estado ( no trato com tais conflitos ) por longas décadas, o que em muito contribuiu para a configuração dessa realidade. Somente recentemente, através de intervenções ativas do Estado sob pressão de movimentos, é que percebemos que, uma nova realidade, fundamentalmente ligada às questões da terra, está sendo construída; sendo que o tempo se encarregará de registrar e dar continuidade ás transformações hora iniciadas nessa história.

 

MIRANTE DO PARANAPANEMA: UMA CONSTRUÇÃO DE MUITOS POVOS

OS QUATRO PERÍODOS DA HISTÓRIA

Podemos identificar claramente quatro períodos ou etapas distintas ao longo da construção histórica do espaço geográfico físico e humano da área do Município de Mirante do Paranapanema ao longo de mais de oitenta anos de ocupação: 1º) PIONEIRISMO EUROPEU; 2º) FUNDAÇÃO E PROGRESSO DO PATRIMÔNIO ; 3º) EMANCIPAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA E 4º) MOVIMENTO DOS SEM-TERRA-MST E A REFORMA AGRÁRIA

 

1º) O PIONEIRISMO EUROPEU

Temos dois momentos de pioneirismo. O primeiro se inicia com a chegada do Dr. Labieno da Costa Machado, de Garça –SP, no ano de 1918, nas proximidades do Distrito, que hoje leva seu próprio nome. Labieno, homem inteligente para aproveitar as oportunidades existentes para realizar grandes negócios, chegou afirmando para todos que as terras pertenciam a seus pais. Ao todo a vasta área abrangia doze mil alqueires paulistas. Procurou estabelecer colonização das terras da "FAZENDA VALE DO PARANAPANEMA", da qual afirmava ter herdado de seu pai, José da Costa Machado de Souza, afirmava ter escritura pública da área lavrada em 15 de maio de 1887.

Esse período se estende até meados de 1946, se considerarmos apenas as regiões leste e norte do município. Em 1921, teve início a chegada dos primeiros imigrantes europeus também nas proximidades de Costa Machado. Chegavam com suas famílias: alemães, húngaros, romenos, tchecos, lituanos, espanhóis, libaneses, portugueses e italianos. Esse primeiro processo migratório se estendeu até o início da década de 30.

O primeiro comprador de terras do Dr. Labieno foi o senhor Robert Boshammer, no ano de 1921, no Bairro "Colônia Branca".

Em 1938 chegam à Costa Machado os pioneiros e imigrantes japoneses, irmãos Takeo e Iraku Okubo, personagens de extraordinária importância na fundação e emancipação deste município.

O pioneirismo não pára, um sub-2º período surge com a chegada de mais imigrantes japoneses na área pertencente hoje o Distrito de Cuiabá Paulista. O seu período de colonização inicia-se em 1948 e se estende até finais da década de 1950. Teve à frente em seu início, o desbravador e colonizador, Sr. Kosuke Endo, que acabou se constituindo o fundador daquele Distrito. Os primeiros compradores da terras do Sr. Kosuke foram Kuroba, Outi, Kamio e Fujisaki.

 

2º) FUNDAÇÃO E PROGRESSO DO PATRIMÔNIO

Em meados de 1946, os irmãos Iraku e Takeo Okubo, resolveram lotear parte dos 250 alqueires de terras que haviam adquirido, poucos anos antes do Dr. Labieno, exatamente onde hoje se localiza a cidade de Mirante do Paranapanema. Uma área de 40 alqueires foi sendo loteada e logo se transformou num Patrimônio. O primeiro comprador de um lote de terra foi o Sr. Manoel Rodrigues. Em 1948 Iraku de Costa Machado para o Patrimônio. O progresso da cidade que ia se formando era tão grande que assustava, principalmente os jornalistas japoneses, que por ser a cidade fundada por seus patrícios, despertava um grande interesse. Um deles chega a escrever que a cidade, aos domingos parecia um "formigueiro", em função do grande número de pessoas transitando pelas ruas de terra. Na Rua Alberto Shiguero Tanabe, quase não podiam passar carros, em função de tanta gente e animais. Em 1949 surge a sede Provisória da Colônia Japonesa e em 1952 se constrói a definitiva. Segundo os jornais japoneses, em 1947 custavam dois contos cruzeiros um alqueire de terra no sítio e dois mil cruzeiros s um lote na cidade, em 1953, um lote na cidade já estava custando cinqüenta mil cruzeiros.

Em 1951/52 foi, nesse período, os anos que apresentaram o maior progresso do bairro, muita lavoura e o comércio aberto direto, sábado e domingo.

Em 1953 o movimento da E.F.S. na estação de Santo Anastácio, só perdeu para Avaré, quase tudo do Bairro Palmital. Naquele ano, das 70 mil sacas de semente de algodão plantadas em todo o Município de Santo Anastácio, 50 mil foram no Bairro Palmital. Foram plantados naquele ano cerca de 12.000 ha de algodão no Município, cerca de 70% no Bairro Palmital.

Esse período se estende até 1953 quando ocorre a emancipação. O grande marco desse período foi a chegada do contingente de migrantes nordestinos, povo que tanto contribuiu e marcou a história deste Município.

Segundo o "Jornal de S. Paulo" de 30/05/1953, destinado aos imigrantes japoneses, em 1953 existiam 5 mil famílias no bairro Palmital das quais 110 eram de imigrantes japoneses. A Algodoeira Mirante do Paranapanema Ltda., começou a beneficiar algodão em 25/05/1953, neste ano beneficiou 300 mil arrobas. Em 1953 foi criado o Kaikan; a Estrada de Ferro Sorocabana abriu um depósito para algodão para embarque em Santo Anastácio.

"No ano de 1951 essa região já havia se transformado num verdadeiro formigueiro humano. Aqueles que não tinham condições de adquirir terras, as arrendavam para o plantio do algodão e amendoim. Em 195l foram destinados ao plantio de algodão 50 mil sacas de sementes" Dr. Aimar Joppert, no JMN de 20/01/2000 .

O poeta Sebastião Bento em sua bela obra escrita caminhando pelas ruas da cidade no dia 10 de julho de 1953, assim descreveu o que viu:

 

Inauguração da Energia Elétrica em Mirante do Paranapanema

clique aqui para exibir o vídeo "Energia Elétrica em Mirante"

POEMA

O progresso De Mirante do Paranapanema-SP

 

(ESCRITO EM 10/07/1953)

Senhores peço licença Para pensar um instante E descrever uma história Que é muito interessante A bem do Patrimônio Denominado Mirante. Vou seguir neste instante O caminho que me convém Vou dizer a verdade Não falo mal de ninguém Apenas vou descrever Os progressos que nele tem Eu acho que me convém Seguir por aqui, leitor Dar primeiro um elogio Aquele nobre senhor Que é Iraku Okubo Por ser seu fundador Temos mais outros senhores Que adiante vou falar Primeiras benfeitorias Que temos neste lugar Como máquina de algodão Para beneficiar Temos um grupo Escolar Com diversos Professores Uma boa serraria Com diversos serradores E uma agencia de correio Para servir os senhores Temos máquinas de arroz Para toda população Temos duas olarias Tijolos de prontidão E um campo bem decente Para baixar avião Temos também a Matriz Para quem quiser rezar Um campo de futebol Para quem quiser jogar E uma agência de banco Para dinheiro guardar Temos também dois hotéis Todos são especial Para atender viajantes Que percorre no litoral Um é o Real Hotel Outro o Hotel Comercial Ainda neste lugar Pensão temos bastante Inclusive estas todas Temos a Pensão Mirante E em falta de conforto Temos Restaurante Casas comerciais Só na rua principal Que é na Rua Iraku Okubo Quem quiser pode olhar Eu contei 57 E garanto não faltar Duas bombas de gasolina Para maior satisfação Para quaisquer veículos Como seja caminhão Brevemente vamos ter Trem elétrico e Estação Tem a sapataria E selaria São Caetano Com diversos operários Que trabalha no seu plano Vende por preços barato Não trás ninguém no engano Sapataria São Caetano Só fabrica com estilo Seus serviços garantidos Não tem isto nem aquilo Alem de vender barato Ainda entrega a domicilio Temos o Armazém São Jorge Assim eu ouço falar É do Sr. Pedro Turco E quem quiser pode ir lá Quem na casa deste homem Compra até sem pagar Falando assim em São Jorge Eu sei que não se engana Se quiser andar descente Vá sem bater a pestana Indo com os olhos fechados Encontrar a casa indiana Deixando a casa indiana Que é de boa pessoa Vá à casa do baiano Que também não é atoa Lá façam usas compras E tome uma pinga boa Sr. Miguel é dono Desta casa popular E em secos e molhados Está em primeiro lugar Ele vende tão barato Que dá pra desconfiar A selaria Cruzeiro Eu também vou falar nela Vender barato assim Nunca vi que nem aquela Vocês chegando sem nada Sae montando na sela A farmácia São Benedito Atende o trabalhador Se você estiver doente Veja bem caro leitor Chegando lá em suas portas Já a doença sarou Farmácia Hida está ali Bem defronte ao doutor Se acaso está doente Ou então se machucar Procure o Sr. Guedes Que é o seu salvador No bar de Antônio Leandro É quem eu vou chegar agora O povo jogando snocker Fica até fora de hora O homem é bom de mais Que ninguém quer ir embora Deixamos Antônio Leandro Com seu bar bem montado Vamos encontrar Sauro Que mora bem do encostado Com suas portas abertas A bem dos necessitados Casa São Bento é do lado Com sua boa estalagem Roupas feitas e armarinhos Com grande camaradagem E em secos e molhados Comprando lá é vantagem Até logo casa São Bento Dê-me um aperto de mão Vou falar com a Luzitana Que tem bom coração Para atender os fregueses Está à disposição Quer comprar barato irmão Venha correndo ligeiro Que na casa Luzitana Têm tecidos verdadeiros Vocês comprando lá Economiza dinheiro Lá está o bazar São Pedro Ao lado da Luzitana Vendendo tudo o que tem Ao preço de banana Quem compra neste bazar Eu sei que não se engana Do bazar São Pedro, vejo Com grande satisfação A casa São José O homem está com ação Pois ele já deu a louca Fazendo liquidação Vou atravessar ligeiro Por causa dos caminhões Chegar em Pedro Machado Que é um bom cidadão Sua casa é das maiores Aqui no alto sertão Domingos Machado então Esse nem quero falar Pois em secos e molhados Não a que possa igualar Tem bomba de gasolina E alem disto é popular Visitem sempre os machados Nem que as causas se danem Depois saia direito E peço que não se enganem Vá a casa São Francisco Compre chapéu Ramenzom O Guerino é na esquina Queria também visitar Sua casa tem de tudo Quando você procurar Sempre vendendo barato Com seu preço popular Do outro lado Ademar Com sua simpatia Com seus precinhos baratos Atendendo à freguesia E na casa Santa Rita Que você tem garantia Aqui eu paro um pouquinho Para voltar um instante Depois eu torno voltar Para ir mais adiante Por que na minha passagem Não vi o Cine Mirante Cine Mirante senhores E para a gente divertir E dos irmãos Chaves Isto eu posso garantir O Zizo é o seu gerente Que fala para nós ouvir Três oficinas mecânicas Que temos aqui em Mirante E um Posto de Saúde Que isto é muito importante E uma igreja Batista Para os seus visitantes Açougue nós temos seis Veja bem caro leitor Se errei não tenho culpa Onofre foi quem falou Para breve vamos ter Um moderno matador Manoel Pereira Paulo Com um secos e molhados Lá na rua popular Está sempre preparado Ferragens, louças e bebidas Tem tudo de seu agrado Vocês conhecem o Cardoso Eta caboclo danado Que trabalha onze anos No sertão deste Estado Como corretor de terras E ele o mais afamado Se você quer comprar terra Vou avisar ao leitor Não vá atrás de alguém Que é explorador Procure Antonio Cardoso Que é o melhor corretor É sobre alfaiataria Que eu vou falar agora Tem aqui a São Luiz Que é boa e não explora E atende aos fregueses Inda sendo fora de hora Alfaiataria São Luiz Aquilo sim é que é feitio Os seus oficiais Todos trabalham direito Quando pegam na tesoura Já seu terno está feito Depieri também disse Eu cá não fico no canto Com minha tesoura mágica Daqui eu não me levanto Na hora que o freguês chegar Diz ele o terno eu garanto O Freitas já no seu canto Atende a freguesia Com seus oficiais Trabalhando noite e dia Dizendo eu faço o terno Ainda do a garantia Faça seu terno com o Freitas Que ele é bom camarada Depois compre uma gravata Dessas bonitas, listrada Vá ao bar de Pedro Passos Tome cerveja gelada Vá no bar de Pedro Passos Sente-se para descançar Peça cerveja gelada E veja seu paladar Pode ficar a vontade Olhando os outro jogar Descanse um pouco e siga E nem é bom se atulerá Ao lado de Santa Rita Lá está a primavera Com seus sapatos baratos Geraldo lhe da espera Comprando na primavera Você já pode voltar Olhando sempre a frente Sem ninguém a perguntar Ali ao seu dispor Osvaldo e Valdemar Comprando no Valdemar Você não compra miséria Volte a rua Campos Sales João Inácio lhe espera No armarinho popular Todo é barato deverá Chegando lá é atendido Com ele não tem arraso Vende barato mais Vende a dinheiro e a prazo Eu penso que João Inácio É sócio de matarazo A sapataria esportiva Está lá de prontidão Fabricando os seus sapatos Com maior precaução Alem de servir a gosto A toda população E na Rua popular A Sapataria Esportiva Que fábrica os seus sapatos E ninguém perde de vista Por fazer com perfeição É que o povo conquista Encomende os seus sapatos Do jeito que agradar Põe logo ele nos pés Do jeito que precisar E diga para o amigo Cerveja eu pago em Mozar Quando acabar de pagar Diga para os seus amigos Aqui diversos artigos Vá no Bazar São Paulo Porque lá não há perigo Visite o Bazar São Paulo Compre lá do que dê E na Rua Popular Em preço que tu quiser Vendendo barato assim Nele é que eu tenho dever Barbearia São José Aquele sim ligeiro Você chegando na porta Ele diz cavalheiro Si quiser fazer a barba Não precisa de dinheiro Você senta na cadeira Ele chega lhe endireita Enquanto você cochila Aquela hora aproveita Quando você não espera Diz ele a barba esta feita Casa Cedro é ao lado Compre o que for preciso Vendendo barato assim Não precisa de aviso Eu penso que o Nicolau Está perdendo o juízo Você pegue e vá embora Não precisa pensar nada A Farmácia Aparecida Espera sua chegada Enfrente a Pensão Mirante O endereço é sem errada Compre o remédio que quer Ao preço de Drogaria Vá ao Antônio Xavier Que lá você aprecia Além de vender barato Tem a melhor Padaria Lá compre pão e bolacha Que é sua obrigação Volte a Rua Campos Sales Que tem a garagem tua Pegue uma bicicleta Vá dar umas voltas na rua Volte entregue a bicicleta Pague a José Xavier Volte à Rua Irako Okubo Dê a cousa no que der Visite os Irmãos Sakata Compre lá o que quiser Comprando em irmãos Sakata Economiza dinheiro Moveis de todos os tipos Tem para o cavalheiro Vá no Jorge Japonês Veja quanto é barateiro O Jorge e barateiro Vou avisar ao leitor Seus artigos vêm da fábrica Direto ao consumidor É número cinqüenta e um A casa deste senhor No número cinqüenta e um Todos os artigos lhe agradam Depois passe lá no Jaime Que ele é bom camarada Compre um presente bom E ele pra sua namorada Cuidado com o presente Que você leva pra ela Aviso que só entregue Quando vê-la na janela Mas não vá errar a moça E abraçar o par dela Peça ao Jaime que embrulhe E amarre bem com um cordão E leve com bem cuidado Para não cair no chão E vá tomar conhaque Lá no Bar do Chibaião Tome conhaque a vontade Mas não vá cair na rua Que a polícia te pega A culpa toda é tua Porque com pau d’água aqui Já sabe a volta é crua Outro conselho eu vou dar Para você camarada Não ande fora de hora Com motim pela calçada Por que você se engana E termina abraçando o guarda Tomando o meu conselho Eu sei que você vai bem Ande por aí direito Não fale mal de ninguém Da se o direito a quem tem Eis ai caro leitor "O Progresso de Mirante" Por aqui vou terminando Com meu peito brilhante Pois o espaço é pequeno Para ir mais adiante Se no acaso os senhores Não gostaram da História Queiram então me perdoar Quem pede assim, implora Ou por outra guarde ele Toque fogo ou jogue fora Este vai por despedida Para quem apreciar Si acharam algum erro Queiram então me desculpar Que estou as suas ordens Aqui no Bazar Popular

MUDANÇAS NA OFERTA E PROCURA NO COMÉRCIO DE MIRANTE

 

Segundo relatos do presidente a ACE – ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E EMPRESARIAL DE MIRANTE DO PARANAPANEMA, Edmilson Gomes Martins, com os assentamentos houve um crescimento de alguns segmentos do comércio local, como:

gêneros alimentícios básicos; remédios e material de construção. O que ocorreu, em relação à décadas anteriores, é que a procura maior é agora ocorre pelo básico de sobrevivência. O consumidor se tornou menos exigente, em função de sua própria condição econômica, de serviços e produtos que custem um valor mais elevado. Com o desenvolvimento da nova opção econômica do município, essa tendência e exigência do consumidor poderá se alterar ou agregada. A lei do mercado é essa se não há consumidor não há oferta.

3º) EMANCIPAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA

Apesar de Mirante do Paranapanema apresentar um desenvolvimento sócio-ecômico e também populacional extremamente superior ao de Costa Machado, em 1952 o Governo do Estado, atendendo ao fato da antiguidade e muito possivelmente ao prestígio do Dr. Labieno do Costa Machado de Souza, e de outra pessoas a ele ligadas, acabou criando ali um Distrito de Paz, que teve sua instalação em maio de 1953. Esse fato aguçou ainda mais os ânimos do pessoal de Mirante do Paranapanema que já se mobilizavam para a emancipação do Município, que partiu com mais afinco na busca deste objetivo.

mais De olho nos lucros procedentes do algodão, as empresas Anderson Clayton & Cia Ltda., MC Faddem & Cia Ltda. E Sanbra S.A., logo (1954/55) construíram aqui suas máquinas de beneficiamento de algodão. Essas indústrias empregavam permanentemente nos primeiros anos, cerca de 50 operários, no entanto, nas épocas das safras, quando havia maior movimento, esse número chegava a 150 empregados. Vieram ainda os Esteves Irmãos e a Braswey, com seus depósitos de compras de algodão.

Depois de muita luta daqueles que sonhavam com a emancipação, um plebiscito foi realizado em 29 de novembro de 1953 e Mirante do Paranapanema acabou se tornando Município. Em 30 de dezembro de 1953, MIRANTE DO PARANAPANEMA foi simultaneamente elevado a condição de Distrito e Município por força da lei estadual nº 2456. O primeiro pleito para a escolha do Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores para a Câmara Municipal ocorreu em 03 de outubro de 1954. Elegeu como Prefeito o Sr. José Quirino Cavalcante e com Vice-Prefetio Domingos Machado. Os Vereadores eleitos foram: Venâncio Alves Maciel, João Augusto de Almeida, Francisco Ferreira Lima, Leônidas Arrais Ferreira, Seizo Nishima, Joaquim de Barros Cavalcante, João Vicente Barbosa, Benvindo Moraes de Souza, Darci Reis, Francisco Farias e Antonio Sobral de Vasconcelos.

Dia 27 de novembro de 1954 o Prefeito eleito é diplomado. O Município incorporou o Distrito de Costa Machado, e o Patrimônio de Cuiabá Paulista, que depois acabou se transformando também em Distrito.

Em 1954 os irmãos Okubo instalaram na cidade uma empresa telefônica com trinta e cinco aparelhos ligados. A empresa se chamou SERVIÇO TELEFÔNICO MIRANTE DO PARANAPANEMA LTDA. Um grupo de políticos de Santo Anastácio, cidade á qual esse serviço se ligava, criou muitos obstáculos no sentido de impedir o funcionamento desse serviço.

Em 15 de abril de 1954 foi instalado o Cartório de Registro Civil, tendo como Serventuária Marsy Pacheco Cançado e Oficial Dalmar Alves de Oliveira. Exerceram as funções de Juiz de Casamento os Srs. Theodorico Guedes Leite, Antônio Alves de Oliviera e João Vicente Barbosa. O primeiro Registro de Nascimento lavrado no dia 17 de abril daquele ano, foi de Helena Maria Pereira, filha de José Francisco Pereira. Sendo o primeiro casamento o de Antônio Ducas Fernandes e Antônia Pereira de Lima, presidido pelo Juiz Azoir Dominato.

A Delegacia de Polícia foi instalada em 26 de outubro de 1956, e teve como seu primeiro Delegado o então contraditório Tenente Gastão Von Hulseu Tosta.

Criado e instalado o Município, os mandatários deste buscaram a criação e instalação da Comarca da Justiça. A criação veio com a edição da Estadual 8092 em 24 de fevereiro de 1964, entretanto a sua instalação ocorreu somente muitos anos depois, em 31 de outubro de 1970, com várias solenidades e festas, que contaram com a presença dos fundadores da cidade, Iraku e Takeo Okubo e um número significativo de autoridades da região e do Governo do Estado e dos mais diferentes segmentos da justiça, da religião, política e da sociedade civil. A Comarca teve como seu primeiro Juiz de Direito o Dr. José de Mello Junqueira e como Promotor Público o Dr. Antônio Heraldo Ferraz Del Pozzo.

Nesse mesmo dia o Prefeito Municipal Justino Trindade de Souza, inaugurou também o serviço de abastecimento de água da cidade.

Em virtude da importância que representou o plebiscito achou-se por bem considerar a data de 29 de novembro de 1953, como o dia da emancipação político-administrativa, ou seja, o dia em que surgiu o Município e conseqüentemente, dia de seu aniversário.

 

A PRIMEIRA ELEIÇÃO MUNICIPAL

 

A POLÍTICA

 

Todas as eleições realizadas em Mirante do Paranapanema, devido a cultura política de seu povo e a fatores externos, tais como pleitos estaduais e federais, foram sempre muito disputadas. As lutas pela hegemonia do poder local, fizeram com que surgissem grupos políticos tão rivais, que a perda de uma eleição, ou mesmo a derrota de um candidato ao governo do Estado, se equipara ao sentimento de se ter perdido uma batalha, uma guerra. Em determinados casos os resultados das urnas determinavam até a permanência do cidadão na cidade, ou possibilidade de concretização de um grande sonho material, de emprego ou de estudos para seus familiares. Quem apoiava o grupo ganhador, sonhava em obter benefício, mas quem estava com o grupo perdedor, previa represálias, perseguições e prejuízos.

Determinados acontecimentos ocorridos na primeira gestão municipal, contribuíram para o fortalecimento de dois grupos políticos antagônicos, que por várias décadas foram marcantes na construção histórica deste Município.

 

ESCOLHA DO CANDIDATO ADEMARISTA

Para a escolha de quem ocuparia no Município recém-criado os primeiros cargos públicos no Executivo e no Legislativo do Município, seguiu de acontecimentos que marcariam por várias décadas a vida política deste povo, acrescidas por mágoas e ressentimentos, que muitas delas, somente o tempo e foi capaz de refazer.

Depois de muitas discussões, saíram candidatos a prefeito na Primeira Eleição Muncipal os senhores José Quirino Cavalcante pelo PSP – Partido Social Progressista – e Dr. José Guedes da Silva, pela UDN – União Democrática Nacional. Para Vice-Prefeito concorreram Domingos Machado de Vasconcelos, pelo PSP e Antônio Ribeiro da Silva, pela UDN. O PSB – Partido Socialista Brasileiro, só concorreu na eleição para a Câmara Municipal, e apoiou a candidatura do Dr. Guedes e Antônio Ribeiro.

Desde a primeira eleição municipal até 1966, quando Ademar Pereira de Barros foi cassado, o grupo que sustentava sua ideologia política neste município, sempre foi muito forte. Mesmo durante o regime militar, esse grupo se manteve coeso e forte.

O PSP – PARTIDO SOCIAL PROGRESSISTA – do Ademar, foi criado em Mirante do Paranapanema, para concorrer nessa primeira eleição, com a colaboração do advogado Aloísio Luiz de Campos Neto, de Santo Anastácio, e teve como presidente, Venâncio Alves Maciel.

 

PREFEITO, VICE-PREFEITO E VEREADORES DE MIRANTE DO PARANAPANEMA

 

1ª LEGISLATURA - PERÍODO DE 01-01-1955 A 31-12-1958

 

 

Prefeito

: José Quirino Cavalcante

Vice-Prefeito

: Domingos Machado de Vasconcelos

 

Vereadores

: Venâncio Alves Maciel, João Augusto de Almeida, Francisco Ferreira Lima, Leônidas Arrais Ferreira, Seizo Nishima, Joaquim de Barros Cavalcante, João Vicente Barbosa, Benvindo Moraes de Souza, Darci Reis, Francisco Farias e Antonio Sobral de Vasconcelos.

 

2ª LEGISLATURA - PERÍODO DE 01-01-1959 A 31-12-1962

 

Prefeito

: João Augusto de Almeida

Vice-Prefeito

: Venâncio Alves Maciel

 

Vereadores

: José Quirino Cavalcante, Hipálito Penitente, Antônio Felizardo Primo, José Pereira Lima, Francisco Ferreira Lima, Lourenço Alves Farvelo, Maemura Satoshi, Domingos Machado Vasconcelos, Benvindo Moraes de Souza. Aimar Joppert e José Marcolino Sobrinho.

 

3º LEGISLATURA - PERÍODO DE 01-01-1963 A 31-12-1966

 

Prefeito

: Francisco Farias

Vice-Prefeito

: José Quirino Cavalcante

 

Vereadores

: Aimar Joppert, Maemura Satoshi, Octácilio Liberalino de Moraes, João Augusto de Almeida, Francisco Mario Pires, Armando Sitiro Shimi, Manoel Quirino Cavalcante, José Menezes do Rêgo, Benvindo Moraes de Souza, José Xavier e Francisco Ferreira Lima.

 

4ª LEGISLATURA - PERÍODO DE 01-01-1967 A 31-01-1970

 

Prefeito

: José Marcolino Sobrinho - "Zuza"

Vice-Prefeito

: Maemura Satoshi

 

Vereadores: João Vicente Barbosa, Ademar Giro Ferrari, Expedito Pimenta Xavier, Francisco Ferreira Lima, Noboru Kasae, José Quintino de Oliveira, Aimar Joppert, Juvêncio Pereira da Silva, Manoel Quirino Cavalcante e Octácilio Liberalino de Moraes.

 

5ª LEGISLATURA

- PERÍODO DE 01-02-1970 A 31-01-1973

 

Prefeito

: Justino de Souza Trindade

Vice-Prefeito

: Takeo Okubo

 

Vereadores

: Adilmar Alves de Oliveira, Ademar Ciro Ferrari, Aurélio Gonçalves Padovam, Antonio Rodrigues, Everaldo Pinheiro Cavalcante, Francisco Ferreira Lima, Juvêncio Pereira da Silva, José Xavier, Miguel Wilson Barbosa, Noboru Kasae e Aimar Joppert.

 

6ª LEGISLATURA - PERÍODO DE 01-02-1973 A

31-01-1977

 

Prefeito

: Francisco Cândido Marcolino

Vicé-Prefeito

: Délio Versali

 

Vereadores

: Augusto Patara, Ademar Ciro Ferrari, Demétrio Moreira Clares, Francisco Santana, Heribaldo Nunes de Carvalho, Francisco Farias, José Valdeque de Côis, Jovelino Messias Moreira, Nobori Kasae, Antônio Rodrigues e Antônio de Souza.

 

7ª LEGISLATURA - PERÍODO DE 01-02-1977

A 31-01-1983

 

Prefeito

: João Augusto de Almeida

Vice-Prefeito

: Antônio Quirino Cavalcante

 

Vereadores

: Ademar Ciro Ferrari, Noboru Kasae, José Xavier, Antônio Rodrigues, Jovelino

Messias Moreira, Tateaki lkeda, Manoel Quirino Cavalcante, José Gustavo Filho, Jayme da Silva, Aparecido Berti da Silva e Manoel do Nascimento.

 

8ª LEGISLATURA PERÍODO DE 01-02-1983

A 31-12-1988

 

Prefeito

: Cecílio Manoel de Lira

Vice-Prefeito

: Francisco Guedes de Carvalho

 

Vereadores

: Avelino Spinola de Oliveira, Aparecido Berti da Silva, Antonio Pereira da Silva,

Climério Costa Lima, Carlos Siqueira Ribeiro, João Gomes, Jonas Jurandyr Purcino, José Holanda da Fonseca, Luiz Massanobu Okubo, Sebastião Canevari e Sebastião Gomes de França.

 

9ª LEGISLATURA - PERÍODO DE 01-01-1989

A 31-12-1992

 

Prefeito

: João Augusto de Almeida

Vice-Prefeito

: Ademar Ciro Ferrari

 

Vereadores

: Aparecido Berti da Silva, João Tadeu Saab, José Serafim, Jovelino Messias Moreira,Antonio Moura de Aquino, José Holanda da Fonseca, Edith Caivano Joppert Figueiredo, Benedito Amaro da Silva, Benedito Mendes, Jonas Jurandyr Purcino, Otto Willy Goetz, Edil Manoel deSouza e Aparecido Pereira da Anunciação.

 

10ª LEGISLATURA - PERÍODO DE 01-01-1993 A

31-12-1996

 

Prefeito

: Núbio Pinto de Medeiros

Vice-Prefeito

: João Tadeu Saab

 

Vereadores: Carlos Siqueira Ribeiro, João Rei da Silva, Jorge Gehardt Kubtza, Antônio Moura deAquino, Pedro Vieira da Silva, Aparecido Pereira da Anunciação, Martinho Messias Moreira, Rubens Reverte Lopes, Edil Manoel de Souza, Climério Costa Lima, José Augusto Cordeiro, Sebastião Gomes de França e Edith Caivano Joppert Figueiredo.

 

11ª LEGISLATURA - PFLRÍODO DE 01-01-1997 A 10/05/98

 

Prefeito

: João Tadeu Saab

Vice-Prefeito

: Celso Otacílio Lopes Sá

 

Vereadores

s: Climério Costa Lima, Edith Caivano Joppert Figueiredo, José de Almeida, Sebastião Gomes de França, José Farias de Figueiredo, Edil Manoel de Souza, Lázaro Venâncio de Araujo, Cecílio Manoel de Lira, Antonio Moura de Aquino, Aparecido Pereira da Anunciação, Aparecido Berti da Silva, Genivaldo Antônio do Nascimento e Jorge Antonio de Góis.

 

11ª LEGISLATURA - PERÍODO DE 10/05/98 A 31/12/000

 

Prefeito

: Celso Otacílio Lopes Sá

Vereadores

: os mesmos da gestão João Tadeu Saab

 

12ª LEGISLATURA - PERÍODO DE 01/01/2001 a

 

Prefeito:

Carlos Siqueira Ribeiro ("Kalu")

Vice-Prefeito:

Paulo Roberto de Assis

Vereadores:

Cecílio Manoel de Lira, Aparecido Berti da Silva, Claudecir Santos Menezes, Jorge Antônio de Goes, Edil Manoel de Souza, Maria Nazaré da S. Montenor, Geraldo Cubza, Climério Costa Lima, Almir Rodrigues Passos, José Faria de Carvalho, Carlos Alberto Vieira, José Elias Venâncio e Ailton Barboza dos Santos.  Presidente da Câmara Municipal é Edil Manoel de Souza.

 

Segundo depoimentos de políticos que participaram dessa primeira eleição municipal, o PSP escolheu o seu candidato de forma consensual. O que pesou nessa escolha, afirmam, foi que José Quirino Cavalcante preenchia os seguintes requisitos: 1º) Era cearense. Devido ao grande número de migrantes cearenses no município, muitos pensavam e diziam que quem iria mandar aqui era o Ceará; 2º) Tinha uma numerosa família e muitos parentes que eram agricultores. A maior parte dos eleitores morava na zona rural; 3º) Dentre os irmãos "Quirino" era o que apresentava o melhor "temperamento". Segundo, seu próprio irmão, Floriano, ele era o conselheiro da família e o mais calmo dos irmãos; 4º) Não era casado. Tinha uma loja, mas uma pessoa de muito confiança o ajudava no comércio. Com isso ele tinha tempo disponível para sair visitando os eleitores pelo vasto município.

Além do ativo apoio de sua grande família, a candidatura do Sr. José Quirino Cavalcante foi sustentada por um grupo formado por notáveis famílias, pessoas e segmentos da sociedade, tais como: família Okubo; colônia japonesa; família Augusto de Almeida; família Machado; Venâncio Alves Maciel e Zuca Marcolino.

 

O GRUPO DO DR. GUEDES

A candidatura do Dr. José Guedes da Silva, pela UDN, com o apoio do PSB, foi sustentada principalmente por Francisco Farias, José Alves (Poca), José Xavier (Zizo), Antônio Ribeiro da Silva e pelos vereadores do seu lado que se elegeram.

O Dr. Guedes, apesar de ser também cearense, chegou aqui vários anos depois do José Quirino. Além do grupo inexpressivo que o apoiava, em comparação com o do adversário, O doutor tinha contra si, na análise eleitorado, alguns agravantes, que apontavam contra a sua candidatura: 1º) era médico. O nordestino, de pouca leitura naquela época, na política, não simpatizava muito com a idéia de doutor; 2º) morava na cidade, assim como também o José Quirino, mas não buscava manter uma intimidade com o pessoal da lavoura, constituído fortemente por pessoas simples e humildes. Com isso, ele não despertava muita confiança para essa população rural, e era exatamente nessa zona que estava o grande eleitorado.

Como, desde o início, o coronelismo imperou no Município, era demais para a consciência do eleitorado simples, que não simpatizava com um doutor para prefeito, mas que por outro lado votou maciçamente num outro doutor (Ademar), para governador. Ao passo que Jânio, que recebeu pouca votação neste Município, era advogado e professor (Geografia e Português).

 

"FOI O ANALFABETO CONTRA O DOUTOR."

 

Segundo o Sr. Antônio Sobral de Vasconcelos, a eleição de 1954 foi a "do pobre (José Quirino) contra o rico; do analfabeto contra o estudado". Ele também conta que o pessoal da roça concluía o seguinte: como que um homem, doutor da cidade vai lutar por nós da roça? Quem vai nos defender só poderá ser um igual a gente. "Eu estou com vocês", essa era a fala do José Quirino com os eleitores. Ou seja, "eu estou com vocês da roça". Foi a fala simples e a identificação com o povo humilde de um candidato, que acabou decidindo a eleição.

 

A ELEIÇÃO

O plebiscito para determinar a emancipação do município de Mirante do Paranapanema de Santo Anastácio, ocorreu em 29 de novembro de 1953, o decreto do Governador do Estado criando o município foi publicado no Diário Oficial do Estado em 30 de dezembro daquele ano, mas a eleição para a escolha do primeiro Prefeito e vereadores, só veio ocorrer em 03 de outubro de 1954. Portanto entre a emancipação e a primeira eleição, transcorreu um período de quase um ano. Com a emancipação, as tendências políticas começaram a manifestarem e com elas teve início o processo de formação dos diretórios municipais dos partidos políticos.

Além da escolha para os cargos municipais, os eleitores votaram também para governador, vice-governador, senadores, deputados estaduais e federais. Para governo do Estado, numa disputa acirrada entre Ademar Pereira de Barros e Jânio Quadros, ganhou no Estado, com uma diferença mínima de votos. Mas, aqui em Mirante, o Dr. Adhemar obteve uma expressiva votação; num total de 2.437 ele conseguir 1.265 votos, quase o mesmo total de votos do prefeito eleito. O Sr. Jânio Quadros somou apenas 553 no município. Para vice-governador, o candidato ademarista, Erlino Salzano, obteve aqui 1.261 votos, mas o eleito foi José Porfirio da Paz, apoiado por Jânio Quadros. Porfírio que, em agosto de 1955, com a ausência do governador eleito, acabou assumindo o governo do Estado.

Nesse pleito o município, que contava com um eleitorado de 3.101, teve um comparecimento às urnas de apenas 2.238 votantes. O Sr. José Quirino Cavalcante foi eleito a prefeito com 1.225 votos, sendo que o Dr. José Guedes da Silva, obteve 874 votos. A diferença, portanto, para prefeito foi de 351 votos. Para prefeito, entre nulos e brancos tivemos um total de 139 votos.

O que nos chama muito a atenção é o reduzido número de eleitores, quando se leva em consideração, que segundo estimativa elaborada pelo D.E.E.S.P., a população total do município em 1954 era de 27.749 habitantes. Vale a pena registrar que no plebiscito para a emancipação do município, votaram somente 264 eleitores.

O VICE FOI MAIS VOTADO DO QUE O PREFEITO

Naquela eleição o voto ainda não era vinculado, ou seja, o eleitor tinha que votar em Prefeito e em Vice-Prefeito, separadamente. Com isso ocorreu um fenômeno interessante, o Sr. Domingos Machado de Vasconcelos, ganhou para Vice-Prefeito com 1.226 votos, ou seja, com um voto a mais do que o prefeito eleito.

Para a Câmara Municipal a legenda, PSP obteve 1.291 votos, conquistando assim 7 cadeiras. A UDN, com 553 votos, teve 3 vereadores eleitos. Já o PSB, com 222 votos, conseguiu eleger apenas um vereador (Francisco Farias).

 

4º) MOVIMENTO DOS SEM-TERRA-MST E A REFORMA AGRÁRIA

O movimento do MST teve início em Mirante do Paranapanema no ano de 1991. Depois de oito meses acampadas às margens da rodovia SP 613, no Município de Teodoro Sampaio, famílias do acampamento João Batista da Silva ocuparam, em 23/03/91, uma área de 2.872 hectares da fazenda São Bento, neste Município. A fazenda tem 5.106 hectares e estava sob o domínio de Antônio Sandoval Neto, famoso grileiro da região. Desse imóvel, 2.872 hectares haviam sido classificados pelo INCRA como latifúndio por exploração em 25/11/86 (Decreto número 94.161). A partir do dia 23, mais 24 famílias procedentes de Mirante do Paranapanema e de Municípios vizinhos também acamparam na São Bento. O Estado, através do ITESP - Instituto de Terras do Estado de São Paulo, agilizou sua atuação sua atuação na Reforma Agrária no Município somente em 1995, depois que, com 1800 famílias o MST ocupou as fazendas Haroldina e Arco-íris, que juntas constituíam uma área de 7.617 hectares. Para a realização dessa ocupação, o movimento buscou mobilizar o maior número possível de famílias, de modo que participaram trabalhadores das mais diferentes condições e situações: bóias-frias empregados e desempregados, pequenos e grandes arrendatários e desempregados das usinas da CESP. Diversas prefeituras da região ofereceram ônibus para que os grupos de seus municípios vizinhos, da região de Araçatuba e do norte do Estado do Paraná pudessem se deslocar até as áreas das ocupações. Nos primeiros dias da ocupação, os coordenadores de grupos levantaram as informações sobre o número de tratores que os ocupantes possuíam, para organizar os trabalhos de preparação da terra para o plantio. Esse acampamento recebeu o nome de Primeiro de Abril.

 

MIRANTE DO PARANAPANEMA, O BRASIL E O MUNDO

Para entendermos a construção histórica de Mirante do Paranapanema se faz necessário a identificação e a interpretação da dinâmica de outros espaços geográficos inseridos no Brasil e no mundo; espaços esses que, se organizaram e se transformaram ao longo dos últimos cem anos.

Fatos ocorridos em diferentes partes do mundo, tais como na Europa e na Ásia : a I Guerra e a II Guerra Mundial, a crise econômica e social no Japão; e no Brasil : a decadência econômica do nordeste brasileiro, foram elementos determinantes no surgimento e na construção histórica do Município de Mirante do Paranapanema, não apenas pelo fato de serem dois imigrantes japoneses os fundadores desta cidade – Iraku e Takeo Okubo – até porque centenas de outros, também imigrantes, aqui fixaram-se e em muito contribuíram para o desenvolvimento social, cultural e sobretudo, econômico desta comunidade. O imigrante japonês, Kosuke Endo, foi o fundador do Distrito de Cuiabá Paulista e idealizador de cinco bairros que ficaram conhecidos na história como "bairros do café", todos colonizados por conterrâneos do Sr. Endo.

Não podemos nos esquecer também que os primeiros pioneiros desta área do Município nas décadas de 1920 e 1930, foram emigrantes europeus – alemães, húngaros, romenos, lituanos, austríacos, tchecoslovacos, russos e búlgaros – que de forma heróica, longe de sua terra natal e em meio a perigos, sofrimentos, distantes de tudo e de todos, souberam conservar em colônias seus valores, símbolos e cultura, ou seja, suas identidades. Um outro exemplo da importância dos imigrantes é que, o fundador do Distrito de Costa Machado era filho de imigrantes alemães.

Imprescindível e necessário também é identificarmos as causas, a partir da década de 1940, até final dos anos 60, do grande fluxo de migrantes nordestinos para este Município. Só podemos entender este deslocamento contínuo e intenso, como sendo uma nova reorganização espacial e territorial do espaço geográfico brasileiro ocorrido naquele período. É notório que o nordeste brasileiro, naquele período passava por uma profunda decadência econômica e grave crise social, não apenas em função das periódicas secas, mas nomeadamente pela fase industrial e urbana pela qual o Brasil estava ingressando.

 

A IMIGRAÇÃO JAPONESA

Ao contrário do que induzem, nas últimas décadas milhares de trabalhadores brasileiros não especializados, que se aproveitando da falta deste tipo de mão-de-obra no Japão, vão tentar a sorte naquele país, e retornam ao seu país sonhando em iniciar uma nova fase em suas vidas em melhores condições econômicas junto à seus familiares, na década de 1920, dois jovens irmãos tiveram os mesmos sonhos, só que partindo no sentido inverso, ou seja, emigrando do Japão para o Brasil.

A vinda de imigrantes japoneses para o Brasil foi gerada por interesses dos dois países: o Brasil necessitava de mão-de-obra para trabalhar nas fazendas de café, principalmente em São Paulo e no norte do Paraná, e o Japão precisava aliviar a tensão social reinante naquele país, causada por seu alto índice demográfico e falta de empregos.

A situação econômica do Japão piorou muito após o fim da Primeira Guerra Mundial, principalmente nas áreas rurais. Nos EUA, principal país procurado pelos imigrantes japoneses, o movimento contra a entrada dos orientais se intensificou e, em 1924, foi promulgada uma lei de imigração que proibia a entrada dos japoneses naquele país. Poderia ser que, não existindo ainda esta lei americana em 1927 os irmãos Okubo tivessem buscado outro destino, o solo americano. Se isso tivesse ocorrido poderia ser até que nem existisse Mirante do Paranapanema, e mesmo se existisse, com certeza, existiriam outras memórias a serem recordadas e conseqüentemente outras histórias seriam construídas, memorizadas e resgatadas.

O pico do fluxo da emigração do Japão para o para o Brasil acontece no período entre 1925 e 1935, quando mais de 140.000 vieram buscar uma nova vida por aqui. Foi, empurrada pela crise vivida em seu país, e pelo sonho de um dia voltar retornar com sucesso, que a família Okubo, aproveitou o fluxo da onda e veio contribuir para que este Município tivesse a construção dessa história e manifestasse essas definidas configurações.

Não obstante, na década de 90, com o agravamento da crise econômica brasileira, o fluxo imigratório inverteu-se, nosso país deixou de receber imigrantes e deu início à emigração para o Japão.

 

CRISES COMO AGENTES HISTÓRICOS

Nesta vida todos nós somos protagonistas de uma história, mas na maior parte dessas histórias, eles, os atores ou agentes são anônimos. Mirante do Paranapanema já foi chamado de: "terra de estrangeiros"; "Japão brasileiro"; "cidade cosmopolita"; "recanto nordestino"; "local onde o paulista era estrangeiro", em função da quase totalidade de seus habitantes ser nordestina. Mas foi graças às crises no Brasil, no mundo, na economia, na política, no café (1929), no algodão (final da década de 1960) e ainda nas atividades agrícolas dos irmãos Okubo que em meados da década de 1940, quando em ainda todo este espaço era mata virgem, surge uma cidade e, por conseguinte um Município, que em poucos anos, pelo espantoso progresso, assustou até seus próprios fundadores. A crise fundiária, de todas, talvez foi, desde o início da colonização desta área, a que mais influenciou nas diversas configurações do espaço geográfico.

Segundo a história da imigração japonesa para o Brasil, mais da metade dos imigrantes japoneses chegaram na década entre 1925 e 1934, como colonos passaram a pequenos proprietários nesse curto espaço. Como a história também registra, os irmãos Okubo fizeram parte da outra metade.

É essa riqueza de crises, fatos e relações, de lutas e contradições, trocas de costumes entre povos e nações, que transformou a história de Mirante do Paranapanema, no mais rico e sedutor patrimônio cultural do oeste do Estado de São Paulo.

Uma construção histórica e geográfica marcada por inúmeros fatos e acontecimentos ocorridos no Brasil e no mundo. Assim foi e assim continua, Mirante do Paranapanema, sendo dono de uma memória riquíssima , e de uma deslumbrante história. Conhecê-la e interpretá-la é construir uma ponte entre si e os mais longínquos espaços da terra, é alimentar a imaginação do fascínio e deparar com uma realidade que muitas vezes nos surpreende e assusta.

 

CHEGAM AO BRASIL OS IRMÃOS OKUBO

Exatamente no dia 1de junho de 1927, numa tarde ensolarada, atracou no cais de Santos o navio La Plata Maru, de bandeira japonesa. Em meio aos navegantes, estavam os irmãos Okubo e suas famílias, que procedentes de Fukuoka – uma região industrial do sul do Japão – vinham cheios de esperanças tentar a vida no Novo Mundo. Com certeza não fazia parte dos sonhos e ideais desses dois jovens nipônicos, alguns anos mais tarde, em solo brasileiro, serem, como poucos, protagonistas da história de um Município.

Como determinava os contratos migratórios entre os governos brasileiro e japonês, os imigrantes iriam trabalhar nas lavouras de café, cultura essa que naquele momento, vivia seu áureo período de glória e progresso, requerendo, entretanto, muita mão-de-obra. Enquanto seus conterrâneos se espalhavam por quase todo o Estado de São Paulo e norte do Paraná. Chegando nas mesmas condições econômicas de seus compatriotas, ou seja, sem quaisquer condições econômicas, os irmãos Okubo, Iraku com 21 anos de idade e Takeo com apenas onze, portanto ainda um adolescente. A família fixou-se numa fazenda de café na região de Bauru onde seus componentes passaram a trabalhar na condição de colonos, como previam as leis da imigração.

Fugindo da crise no Japão, assim que chegou ao Brasil, a família Okubo é novamente vítima de uma outra crise, a do café em 1929. Quem veio sonhando em ganhar muito dinheiro, e em pouco tempo voltar rico para o seu país natal, sente na alma a continuidade do sofrimento que parecia ter ficado tão distante do território brasileiro.

Como se já não bastassem, aos imigrantes japoneses os diferentes hábitos culturais, língua e clima, agora, com a decadência da cultura do café, muitos deles são despedidos pelos fazendeiros e desvalorizados como trabalhadores. A família Okubo ainda conheceu a cultura do algodão naquela região, mas diante da evidente impossibilidade de realizarem seus sonhos naquele local e condições, eis que em 1938, brota a idéia de procurarem uma nova paragem no Município de Garça, distante de onde estavam cerca de 70 km. Lá conheceram um dos maiores latifundiários do Brasil da época, Dr. Labieno da Costa Machado de Souza, que os convidou para uma de suas Fazendas localizada na atual área pertencente ao Município de Mirante do Paranapanema.

Foi nesse momento que houve a separação entre os dois irmãos, Iraku Okubo aceitou em ser Corretor de terras para o referido latifundiário neste local, mas o seu irmão Takeo, que nessa época já havia se casado, decidiu ir para São Paulo trabalhar na Bolsa de Mercadorias, onde, em 1939, acabou se Formando "Classificador de Algodão".

 

A CHEGADA DO DR. LABIENO

A história de Mirante do Paranapanema começa a ser construída entre os anos de 1916 a 1918, quando um homem por nome Labieno da Costa Machado, nascido em 27 de setembro de 1880, no município de São José do Rio Preto, no Estado de São Paulo, resolve conhecer e colonizar uma área de 120 mil alqueires de terras, que considera herança de seu pai, que se chamava José da Costa Machado. O Dr. Labieno faleceu no início da década de 1960 na capital paulista.

O pai do Dr. Labieno era um influente político que chegou a ocupar importantes cargos públicos do Brasil, sendo o mais importante a Presidência da Província de Minas Gerais nos anos 1867/68. Abandonando a política naquele Estado veio, no início do século XX para o Estado de São Paulo, em busca de terras novas para o cultivo do café e também encontrar novos espaços para o exercício de liderança política.

Tudo leva a crer que o Dr. Labieno, acompanhado de seu grande amigo e futuro Administrador de sua fazenda, Odilon Ferraz, chegaram até à cidade de Indiana de trem e de lá rumaram, a cavalo, para o local onde hoje localiza o Distrito de Costa Machado, passando pela cidade de Pirapozinho. Segundo o Sr. Kal Thies, 88, imigrante alemão, que chegou em Costa Machado em 1930, foi essa a versão contada pelo próprio Odilon Ferraz e por um dos netos do Dr. Labieno.

Segundo Celso Jaloto Ávila Junior, em seu livro "História de uma cidade – Santo Anastácio", página 27, o "picadão", ligando Santo Anastácio com a propriedade do Dr. Labieno, foi construída "alguns anos depois de 1918", ainda assim, a pedido do próprio fazendeiro. Pesa ainda o fato do Dr. Labieno não ter passado por Santo Anastácio, como muitos supõem, devido ao fato de o trem de ferro só ter chegado naquela cidade em 25 de julho de 1920.

 

TEM INÍCIO A COLONIZAÇÃO

Assim que localizou suas posses, para agilizar as vendas em pequenas propriedades, o Dr. Labieno tratou de montar a "Empresa de Terras e Colonização Labieno da Costa Machado", cuja história foi até objeto de tese de Mestrado (Marcos De Martini – UNESP – Franca/2000).

No processo de colonização de suas terras, o Dr. Labieno procurou se valer de toda influência política da família no

Brasil e de suas experiências adquiridas na Europa durante os anos que lá morou e estudou. Com muita esperteza e habilidade, o Dr. Labieno soube como ninguém aproveitar do sistema de imigração subsidiada pelo governo brasileiro naquela época. No início da década de 1920, empreendeu, em vários países do velho continente, uma grande divulgação de suas terras.

Em função das incertezas, no período pós-Primeira Guerra, reinante em muitos países daquele continente, não foi difícil para centenas de alemães, húngaros, romenos, austríacos, lituanos, tchecos e até russos, emigrarem para o Brasil em busca da sorte em outro "mundo". Segundo o Sr. Kal, muitos dos imigrantes que chegavam não se adaptavam ao trabalho de derrubar mato e morar distante de cidades. Muitos chefes de famílias tinham lutado na guerra e quase todos eram profissionais de cidade como ferreiro, carpinteiro, eletricista e mecânico. Com isso, ao mesmo tempo em que chegavam europeus nas colônias, muitos migravam novamente, agora para cidades do Brasil, principalmente São Paulo. Muitos compravam o lote através de firmas corretoras e apenas observando materiais de propaganda, quando ainda moravam na Europa. Muitos imigrantes europeus que adquiriram terras aqui, já moravam no Brasil. Foi grande o número dos que chegaram como proprietários de 10 a 15 alqueires de terra, e acabavam indo embora sem pagar a segunda prestação.

A intenção do Dr. Labieno era formar em suas terras, colônias distintas para cada nacionalidade de imigrantes. Em seu trabalho o professor Martini assim descreve: "Era uma medida voltada exclusivamente aos interesses do colonizador, ao tentar cativar os colonos para um projeto que privilegia um determinado grupo, o que estava em jogo era tão somente o interesse pelas vendas. Poderia parecer ao colono, a quem essa propaganda era dirigida, que entre pessoas da mesma nacionalidade, que falavam a mesma língua e tinham os mesmos costumes culturais, tudo seria mais fácil"

Mesmo assim aconteceu a formação de diversas colônias: "Colônia do Costa Machado", alemães e romenos; "Colônia Branca", alemães; "Colônia Santo Antônio" húngaros e austríacos; "Colônia Bessarábia", russos, búlgaros e tchecos e "Colônia Lituana", com os lituanos. Devemos esclarecer que a "Colônia Japonesa", que se formou em terras do Dr. Labieno, na Água do Mastro, no final de década de 1940, não foi por iniciativa sua. Como também as "Colônias dos Japoneses", que se formaram no Bairro Paraíso e proximidades, a partir do início da década de 1950, ocorreram por iniciativa do Sr. Kosuke Endo e em suas terras

 

A CHEGADA DOS IRMÃOS OKUBO AO BRASIL

Exatamente no dia 01de junho de 1927, numa tarde ensolarada, atracou no cais de Santos o navio La Plata Maru, de bandeira japonesa. Em meio aos navegantes, estavam os irmãos Okubo e família. Emigravam de Fukuoka – uma região industrial do sul do Japão – e chegavam cheios de esperanças e tentar a vida no Novo Mundo.

Com certeza naquele momento, não passava pela cabeça daqueles dois irmãos – um ainda adolescente – Takeo – e outro jovem – Iraku – que, a exatos vinte anos mais tarde seriam eles protagonistas da história de um Município em terra brasileira.

Como determinavam os contratos migratórios entre os governos brasileiro e japonês, os imigrantes iriam trabalhar nas lavouras de café, cultura essa que naquele momento vivia seu áureo período de glória e progresso, requerendo, entretanto, muita mão-de-obra. Enquanto seus conterrâneos se espalhavam por quase todo o Estado de São Paulo e norte do Paraná. Chegando nas mesmas condições econômicas de seus compatriotas, ou seja, sem quaisquer condições econômicas, os irmãos Okubo, Iraku com 21 anos de idade e Takeo com apenas ll, portanto ainda um adolescente. Acabaram suas famílias fixando-se numa fazenda de café na região de Bauru onde passaram a trabalhar como colonos.

Fugindo da crise no Japão, assim que chegaram ao Brasil, os Okubo são novamente vítimas de uma outra crise, a do café de 1929. Quem veio sonhando em ganhar muito dinheiro e em pouco tempo voltar rico para o seu país natal, sente a continuidade do sofrimento que aparentando ter ficado tão distante, se avizinha novamente em suas vidas.

Como se já não bastassem os diferentes hábitos culturais, língua e clima totalmente adversos aos seus, agora com a decadência da cultura cafeeira, muitos colonos são despedidos pelos fazendeiros e desvalorizados como trabalhadores. A família Okubo ainda conheceu a cultura do algodão naquela região, mas conhecedores da impossibilidade de realizarem seus objetivos naquele local e circunstâncias, eis que em 1938, brota a idéia de procurarem uma nova paragem no Município de Garça, distante de onde estavam cerca de 70 km. Lá conheceram um dos maiores latifundiários do Brasil da época, Dr. Labieno da Costa Machado, que os convidou para uma suas Fazendas localizada na atual região do Pontal do Paranapanema, no sudoeste do Estado de São Paulo.

Foi nesse momento que houve a separação dos dois irmãos, Iraku Okubo aceitou em ser Corretor de terras para o referido latifundiário. O seu irmão Takeo, que havia casado no ano anterior, decidiu ir para São Paulo trabalhar na Bolsa de Mercadorias, onde, em 1939, acabou se Formando como Classificador de Algodão.

 

IRAKU OKUBO CHEGA EM COSTA MACHADO

Agora, sozinho Iraku viaja de trem até a cidade de Santo Anastácio e de onde ruma, ainda em meio a picadas da mata virgem, para Costa Machado, que naquele momento ainda era uma Colônia, com a sede da Fazenda Vale do Paranapanema, do Dr. Labieno da Costa Machado, e apenas algumas casas, ainda rústicas, onde hoje é o Distrito. A maior parte das famílias morava em pequenos sítios espalhados pelo meio da mata, formando as Colônias de diferentes povos europeus. Muitos desses habitantes chegaram diretamente da Europa, outras de diferentes regiões do Brasil, onde já haviam buscado o também o sucesso em outras regiões, principalmente na Mogiana e Noroeste do Estado de São Paulo.

Como Corretor de Terra agora, procurava Okubo mostrar sua competência nessa nova empreitada de vender terras, o que não era nada fácil, primeiro porque o nosso país, naquele momento, vivia as conseqüências da II Guerra Mundial com muitas crises e poucos negócios; em segundo lugar em função do medo que as pessoas tinham de comprar terras na região do Pontal por ser área devoluta. Mas como ele mesmo afirma no jornal Nippak de 22/03/1980, nos primeiros cinco anos, como não conseguia vender nada, acabou montando, o que ele classifica como "boteco" – que depois se transformou num grande armazém – em Costa Machado que durante mais de dez anos forneceu os mais diferentes tipos de mercadorias para centenas de famílias que trabalhavam na agricultura.

 

A COMPRA DE UMA FAZENDA E A "ONDA" DA HORTELÃ

Em 1943 os dois irmãos voltam a trabalhar juntos. Iraku convida Takeo, que ainda residia em São Paulo, para tomar conta do Armazém em Costa Machado, pois uma nova esperança de sucesso surgia, era a "onda" da hortelã. Como afirma EiKiti Maermura, no mesmo jornal Nippak "Naquele tempo era o que dava mais dinheiro. Até padre, soldado, delegado, plantava hortelã".

Embarcando no entusiasmo geral da "febre" do óleo de menta, que por sinal em 1943 foi um excelente negócio. Os Estados Unidos compravam o óleo mentol do Japão, mas em decorrência deste país ter entrado na II Guerra Mundial contra os aliados, este país se tornou inimigo dos norte-americanos e conseqüentemente estes deixaram de adquirir os seus produtos, que eram muito utilizadom na indústria farmacêutica e alimentícia. As compras da China, que poderia ser uma opção, pois também era uma grande produtora, enfrentava problemas em função da paralisação do comércio naval no oriente. Com isso abriu-se uma grande oportunidade para outros países como o Brasil suprir as necessidades do mercado norte-americano com esse produto. Como naquele período o solo e as condições climáticas, em função da existência ainda de matas virgens e solos ricos em matéria-orgânica, era a nossa região, de um ano pora outro ela tornou-se o maior centro de cultivo dessa planta exótica.

A doze quilômetros do povoado de Costa Machado, que na época contava com apenas quatro ou cinco moradias, os irmãos Okubo adquirem do Dr. Labieno da Costa Machado, uma área ainda totalmente coberta de mata virgem. O valor da transação foi de 250 contos de réis, com um prazo de cinco anos para pagamento. As primeiras plantações que fizeram – hortelã, feijão de soja e algodão – devido às dificuldades de transportes, redundaram em verdadeiro fracasso.

Esse "chapadão, bem no alto", é o local onde hoje é ocupado pela cidade de Mirante do Paranapanema.

Além de vender terras, Iraku começou com atividades agrícolas por conta própria, cultivando os mais diferentes produtos. Por uma série de circunstâncias, não obteve também sucesso.

Somente os irmãos Okubo plantaram em 1945, 60 alqueires de hortelã o que significou o início de uma crise financeira na família. Após o término da II Guerra Mundial, os Estados Unidos voltaram a comprar o óleo de menta do Japão e da China. Com isso o preço desse produto no mercado internacional caiu mais de cinqüenta por cento. Como os custos da produção eram extremamente elevados, o prejuízo de quem muito arriscou foi também muito elevado.

Nesse período seu irmão Takeo estava com ele novamente e juntos tocavam os negócios em sociedade. Enquanto seu irmão tomava conta do comércio em Costa Machado, Iraku, cuidava dos negócios da agricultura.

Ainda com residência em Costa Machado, em 1944, foi dado início a venda de lotes para uso agrícola, sendo seus primeiros adquirentes: irmãos Ketsujiro, Akinori Kadovaki, Shimatsu Sato, Shoma Urano, Joaquim Nogueira, Luiz Marques, Pedro Machado, Francisco de Oliveira, Francisco Franco e Antonio Xavier

 

A IDÉIA DO PATRIMÔNIO

Em virtude dos constantes prejuízos nos negócios com a agricultura, começa a crescer a idéia e a necessidade de se lotear uma área para a formação de um patrimônio.

Tudo faz crer que por quase três anos, trabalhando em suas próprias terras, os irmãos Okubo não tinham em mente a formação, sequer de um patrimônio, quanto mais de uma cidade. Isso pode ser concluído quando ele, segundo dona Antônia Rosa Fernandes de Lima, in memorian, em 1945, oferece de empreita os Srs. Antônio Rosa (pai de dona Antônia) e Francisco da Cruz, a derrubada da mata e o plantio de 15 mil pés de café, a área onde hoje está localizada a atual cidade. Mas o café nem chegou a produzir, pois em 1947 já foi iniciada a venda dos lotes cortando no meio da lavoura. Ainda há poucas décadas passadas era possível encontrar em algum fundo de quintal resquício desses pés de café.

Vários acontecimentos ocorridos no ano de 1946 foram decisivos para a tomada de decisão pelo Sr. Iraku para a formação de um patrimônio. Primeiro foi o grande prejuízo que ele tomou com a cultura do algodão, devido ao excesso de chuva o produto apodreceu nos pés. Segundo, no início do mês de outubro apareceu uma tremenda praga de gafanhotos nessa região que acabou com tudo que estava plantado, sua lavoura de hortelã foi totalmente destruída e agravou tremendamente a situação financeira da família.

"Aqui tem um local muito bom para se construir uma vila, sempre me dizia o agrimensor, André Ponce juntamente com o meu compadre Hideki Nomura. Aí eu resolvi separar 40 alqueires para o loteamento. Bem no alto, no meio de minha propriedade. Em 17 de maio de 1947 foi quando vendi o primeiro lote de 10 metros por 40, por 2 mil cruzeiros.". (Iraku, Diário Nippak, de 22/03/1980).

Em 17 de maio de 1947, Manoel Rodrigues, comprou por dois mil cruzeiros, o primeiro terreno (data) no loteamento cujo projeto original levava o nome de CIDADE MIRANTE DO PARANAPANEMA, localizado na esquina das atuais Ruas João Augusto de Almeida com a Getúlio Vargas. Logo em seguida, José Honorato Lemos, construía a primeira habitação de pau-a-pique, no final da atual Rua Alberto Shiguero Tanabe.

 

"PALMITAL" OU "MIRANTE DO PARANANEMA"?

Existiram dois nomes para um mesmo Patrimônio: "Palmitalzinho", mais ligado à cultura dos migrantes nordestinos, e "Mirante do Paranapanema", criado pelos idealizadores do Patrimônio, mais precisamente pelo Engenheiro André Ponce, que fez o seu projeto original. Essa contradição em nada veio desqualificar esse ou aquele grupo de pessoas, muito pelo contrário, ela acarreta e requer dos historiadores uma análise mais profunda de um fenômeno complexo, mas ao mesmo tempo muito interessante.

O nome Palmital surgiu porque segundo os primeiros habitantes desta área, existiam muito palmito em meio à mata virgem, principalmente onde hoje se encontra a Igreja Matriz. Bem próximo deste local foi construída a primeira escola do Patrimônio que recebeu o nome de "Escola do Bairro Palmital", que ao longo da história se transformou na EE Joana Costa Rocha.

Portanto os mesmos habitantes conseguiram conviver pacificamente com os dois nomes do Patrimônio: "PALMITAL" e "MIRANTE DO PARANAPANEMA", por aproximadamente dez anos, ou seja, bem antes da emancipação político-administrativa e tempos depois já como Município constituído.

Quanto a esse fato o Sr. Jaime Sevilha Gonçalves, que foi cobrador da Jardineira do Ferrer "Ferré" na década de 1950, assim relata: "Antes de 1952, quando ainda não era Município, a cidade já era conhecida por algumas pessoas como sendo Mirante do Paranapanema e muito tempo depois que o Município foi criado, muita gente ainda chamava aqui de Palmitalzinho. O povo nordestino se apegou nesse nome e foi duro para acostumar com Mirante".

O nome "Mirante do Paranapanema" já existia bem antes do pedido da emancipação político-administrativa, conforme podemos comprovar:

Segundo depoimentos de pessoas que vivenciaram estes fatos, tais como os Srs. Maemura Satoshi, Antônio Sobral de Vasconcelos, Francisco Mario Pires, Kussuo Okubo, Salvina Alves (parteira) e Helena Okubo, o nome Mirante do Paranapanema para o Patrimônio, surgiu muito antes da realização do plebiscito realizado em 29/11/1953.

Segundo Kussuo Okubo, mais conhecido por "Carlito", filho do Sr. Iraku Okubo, e que, segundo afirma andou demarcando divisas de lotes pelo Patrimônio ainda em meio ao mato e cafezal, afirma que o nome Mirante do Paranapanema foi sugerido ainda por ocasião da fundação do Patrimônio.

Dona Salves Alves (a parteira que completou 93 anos no dia 21/10/2003), afirma que quando aqui chegou, trazida pelo Sr. Iraku Okubo para trabalhar no Sub-Posto de Saúde em 1949, em todos os relatórios ela escrevia "Mirante do Paranapanema".

Assim relata o Sr. Iraku Okubo, no Jornal Quinzenal NIPPAK de 22/03/1980: "Eu me achava na obrigaação de doar estes terrenos, como fundador da cidade. Inclusive muitos deles, o jardim por exemplo, já constava no projeto inicial". A planta desse projeto, que tem o serviço de Antônio Candido de 21 de maio de 1947, trazia estampado o nome "CIDADE MIRANTE DO PARANAPANEMA". – CIDADE DE PROGRESSO. Propriedade: SOCIEDADE CIVIL, COLONIZADORA MIRANTE DO PARANAPEMA LTA." – Município e Comarca de Santo Anastácio.

A obra do poeta Sebastião Bento "O PREGRESSO DE MIRANTE DO PARANAPANEMA-SP", escrita em 10/07/1953, já denominava o Patrimônio como sendo Mirante, quando assim inicia os seus versos: "escrever uma história que é muito interessante, a bem do Patrimônio denominado Mirante". O poeta também cita a existência no Patrimônio de uma "Pensão Mirante".

No Início da década de 1950 existiu uma farmácia no Patrimônio com nome "FARMÁCIA MERANTE". Na placa, como podemos constatar pela placa do estabelecimento, era "Merante" mesmo e não "Mirante". Essa farmácia pertenceu ao Sr. Bertoldo.

Como podemos comprovar, a Certidão de Nascimento de Antônio Ferreira Lima, em registro feito no Cartório de Santo Anastácio no dia 30/01/0951, como consta no livro A-034, às folhas 280, sob o número 21494, consta que o referido nascimento se deu no PATRIMÔNIO MIRANTE DO PARANAPANEMA.

A ALGODOERIA MIRANTE DO PARANAPANEMA LTDA. foi registrada com este nome, conforme Diário Oficial, em 24/04/1953, oito meses antes da realização do plebiscito.

Certidão de nascimento de Clóvis da Silva Barbosa (Neno), com local de nascimento no patrimônio de Mirante do Paranapanema - registro de 12/09/1950.

 

A EMANCIPAÇÃO DO MUNICÍPIO

A idéia da venda dos lotes para a formação de um Patrimônio foi motivada primeiro pela situação econômica pela qual passava a família Okubo; segundo porque o Sr. Iraku se sentia, na condição de corretor das terras próximas à sua fazenda, como que responsável a encontrar soluções para os vários problemas que a maior parte das famílias aqui enfrentava, tais como: fornecimento de alimentos, de instrumentos manuais de trabalho na roça e até de animais para o uso do preparo da terra e no transporte de produção. As estradas, verdadeiros picadões, eram praticamente intransitáveis para veículos e meio de comunicação e fornecimento de energia, não existiam. Quanto às dificuldades enfrentadas no bairro, o próprio Iraku assim expressa no JORNAL NIPPAK de 22/03/1980: "Aqui nós sofremos muito. Quantas e quantas vezes não andamos a pé os 60 km que nos separava de Santo Anastácio. Saíamos de manhã cedinho e lá só conseguíamos chegar, à tarde"

A referida comissão, objetivando a emancipação, foi liderada pelo Dr. José Guedes da Silva. A formação do processo justificando a emancipação, era complexa e exigia, além de conhecimentos jurídicos, muito apoio e acordos na Assembléia Legislativa do Estado, além de disponibilidade de tempo e recursos financeiros. Essas negociações envolviam desde políticos de Santo Anastácio, o que não era nada fácil tendo em vista que a separação buscada não caminhava amigavelmente, até autoridades do mais alto escalão do Estado.

O Sr. Iraku Okubo, não quis participar da política naquele momento, conforme ele mesmo relata no JORNAL NIPPAK de 22 de março de 1980: "Pedi que 6 a 7 líderes da cidade cuidassem dessa política que eu começaria a lutar por outras melhorias". O fato era que o Sr. Iraku era muito amigo do Prefeito da Santo Anastácio na época, Luiz Staut, que lutava contra a emancipação de Mirante do Paranapanema, pois aqui constituía a maior área de produção agrícola do Município. Depois da formação do Município o Sr. Iraku se entregou totalmente à política junto com os nordestinos, sempre defendendo a bandeira do grande político da época, Ademar de Barros, do qual era até compadre. A luta do Ademar com o Jânio Quadros era muito grande. Na primeira eleição para governador, depois da formação do Município, em 1956, ganhou o Jânio Quadros. Para Mirante este ocorrido veio trazer um tremendo prejuízo, pois acabou rachando o grupo político que tinha ganhado a primeira eleição municipal. Isto causou a adesão do Prefeito José Quirino ao governo do Estado.

"A emancipação devemos em grande parte ao nosso valoroso companheiro Dr. José Guedes da Silva, que com os seus conhecimentos, grande respeito e prestígio que gozava na capital paulista, em especial junto a alguns parlamentares, não mediu esforços para, com grande idealismo e sacrifício do seu precioso tempo nas constantes viagens que fez a São Paulo para a finalidade de obter essa grande vitória para nossa terra".Dr. Aimar Joppert – JMN- pág 04 –20 de janeiro de 2000.

Depois de muita luta, inclusive na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, um plebiscito foi realizado em 29 de novembro de 1953 e a emancipação ganhou por 177 votos, 86 que votaram contra e teve um voto nulo. Conforme noticiou o jornal Folha da Manhã, de 01/12/1953, a emancipação foi pedida em nome do Distrito de Costa Machado. Conforme afirma um dos pioneiros daquela época, Francisco Mario Pires, em entrevista realizada em 02/10/2003: "Todo mundo sabia que a sede do novo Município seria mesmo Mirante do Paranapanema e não Costa Machado".

Em 30 de dezembro de 1953, Mirante do Paranapanema foi simultaneamente elevado da condição de Distrito a Município por força da lei estadual nº 2456, com o nome Mirante do Paranapanema, e historicamente, tendo como fundadores o irmãos Iraku e Takeo Okubo.

O pleito para a escolha do primeiro Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores para a Câmara Municipal, ocorreu em 03 de outubro de 1954, quando ganhou para Prefeito o Sr. José Quirino Cavalcante tendo como Vice Domingos Machado, que ganhou com um voto a mais do que o Prefeito eleito. Naquela época o voto não era vinculado, ou seja, votava-se separadamente para Prefeito e para Vice.

Em virtude da importância do plebiscito, achou-se por bem considerar a data de 29 de novembro de 1953, como o dia do nascimento do município.

A posse do prefeito José Quirino Cavalcante, e dos Vereadores ocorreu em 01 de janeiro de 1955.

Francisco Mario Pires, em 01/10/2003, assim resume a emancipação: "Mirante do Paranapanema cresceu rapidamente, mais do que o Distrito de Costa Machado, daí o pedido à Assembléia Legislativa do Estado para a sua emancipação. Quando foi pedido a realização do plebiscito em nome de Costa Machado, a gente já dava como certo de que a sede do Município seria em Mirante. Teve pessoas de famílias tradicionais de Costa Machado, e até de Mirante também, que eram contra a emancipação, ou se ela viesse a ocorrer, então que fosse a sede no Distrito de Costa Machado. Para que Mirante do Paranapanema, que até então, na verdade era apenas um povoado, fosse elevado á categoria de cidade e sede de Município, contamos com a colaboração imprescindível do Deputado Péricles Rolim, de Rancharia, que muito lutou na Assembléia Legislativa do Estado para que pudéssemos alcançar o nosso objetivo. A nossa conquista deve muito também ao trabalho do Dr. José Guedes e de muitas outras pessoas. Foi um desejo de muitos e assim foi feito. Hoje quando vou para Mirante e vejo, ainda de longe a cidade, me dá uma grande emoção" (Mário Pires mora atualmente em Pres. Prudente).

Quem convive dentro de sua própria casa com essa contradição de "PALMITAL" ou "MIRANTE DO PARANAPANEMA", é o casal Clóvis da Silva Barbosa, "Neno" e Éster Garcia Barbosa. Ela, com Registro de Nascimento de 18 de julho de 1949 consta como tendo nascida no BAIRRO PALMITAL, em 22 /04/1949 (Livro A/32, fls.7, nº 19.348 – Registro Civil das Pessoas Naturais de Santo Anastácio). Ele Clóvis, registrado no mesmo Cartório, em 02 de setembro de 1950, consta como local de nascimento PATRIMÔNIO "MIRANTE DO PARANAPANEMA" em 05/08/1950. Registrado às folhas 15 no Livro A/34. Portanto praticamente três anos antes da realização do plebiscito que já constavam em documentos o nome "PATRIMÔNIO MIRANTE DO PARANAPANEMA".

 

DEPÓSITO DA ESTRADA DE FERRO SOROCABANA

Para favorecer o transporte e a venda da produção de algodão, pois o maior obstáculo dos produtores naquela época Bera a falta de estradas, o Sr. Iraku Okubo, em julho de 1953, se encarregou em trazer, para o então ainda Povoado em julho, um depósito da Estrada de Ferro Sorocabana e um trator de esteiras para fazer e consertar estradas de rodagens.

OS PROBLEMAS PÓS-NASCIMENTO

Assim como após o nascimento de um filho surgem alguns "novos" problemas, tais como: onde a criança vai dormir? Compra berço? Onde colocar o móvel? Quem vai tomar conta do novo herdeiro? E a alimentação? E assim por diante. Com o "nascimento" de Mirante do Paranapanema aconteceu algo semelhante. A maior parte da população optou pelo nascimento do filho, o Município, e daí, junto com o presente, começaram as primeiras preocupações. Como fazer para que o recém-nascido cresça sadio, seguro e independente?

Na emancipação, como não poderia deixar de ser, era somente alegria, festas, muitos sonhos e esperança, afinal a população, principalmente a do Povoado, dava mostra certa do sucesso. Vendo aquela prosperidade da cultura do algodão, máquinas funcionando dia e noite, gente chegando em busca de trabalho para "ajuntar dinheiro com restelo", não se poderia esperar por uma outra coisa. É bem verdade que certas pessoas "sabidas e importantes" do Distrito de Costa Machado, não estavam gostando nada dessa história da criança nascer num determinado local e após o parto ela fixar residência definitiva num outro local. Ainda com mais um agravante, ser registrada com um nome totalmente diferente daquele "escolhido" por seus pais por ocasião de sua gestação.

Com tanta felicidade no Povoado e roças adjacentes, seus pais não "estavam nem aí" para com o desgosto de outrem, e suas preocupações agora eram outras, assumir a "criança", legalizar sua documentação e criá-la dignamente. Nessa busca inflexível não faltaram às pessoas de "boa vontade", sinceridade e coragem para o trabalho, mas junto a tudo isso eram imprescindíveis determinados conhecimentos no trato com os "negócios da lei".

Assim que a criança nasceu, " vieram ao mundo" também os primeiros problemas como já afirmamos, eles são inerentes nesse período pós-parto. Até hoje, cinqüenta anos depois, ainda se discute a real paternidade dessa criança, ou seja, quais foram verdadeiramente os seus "progenitores".

Tudo levava a crer que um "mar de rosas", ou melhor, de algodão branco, imediatamente inundaria aquele quarto onde deitava uma criança em berço esplendido, ou seja, num berço de ouro.

Ao longo dos tempos as "relações familiares" entre a criatura e seus criadores, Município e "gestores", nem sempre, por razões de ambição e ignorância, se pautaram pela veneração e respeito mútuo.

O orgulhoso pela libertação foi logo dando lugar a preocupação e a dificuldade que muitas vezes se apresentam na administração do sucesso. Isso não significa que sem a emancipação a situação seria melhor, entendo que esse foi um fenômeno natural pelo próprio desenvolvimento econômico e social do bairro e do Povoado.

Não foram poucas as dificuldades que os idealizadores e gestores da emancipação tiveram que enfrentar. Além da chamada regulamentação legal, que envolvia a desvinculação com o Município de Santo Anastácio, quando tiveram que arcar com todos os ônus da decisão tomada, havia ainda a necessidade da criação dos Diretórios dos partidos políticos, da formalização de candidatos as eleições, e múltiplas outras obrigações.

Diante do enfrentamento das dificuldades só faltava alguém querer encontrar como culpado de tudo isso quem construiu nesse local a primeira casa seis anos antes de sua emancipação, o Sr. José Honorato Lemos. Essa incriminação seria inconseqüente até porque esse pioneiro tinha sido assassinado por um policial, no Município de Presidente Bernardes, poucos meses antes da realização do plebiscito. O que dizer então do Sr. Manoel Rodrigues, que pioneiramente acreditando no futuro do Patrimônio, investiu suas sacrificadas economias da roça na compra de um pequeno lote de terra?

 

AS PRIMEIRAS ADMINSTRAÇÕES MUNICIPAIS

As primeiras administrações do Executivo Municipal, respectivamente com José Quirino Cavalcante, João Augusto de Almeida e Francisco Farias – ocorridas no período entre 1955 e 1966 – enfrentaram uma série de dificuldades.

No início, além da falta de estrutura e saneamento básico, a Prefeitura não tinha, se quer uma moto-niveladora para construir e conservar as estradas do Município. Os constantes pedidos dos produtores agrícolas para consertos das estradas, segundo os relatos das Atas da Câmara Municipal de Vereadores daquela época, foram umas das primeiras razões para dividir o principal grupo de políticos, que mais havia lutado para a emancipação.

O próprio Zuca Marcolino relata em entrevista de 30/11/2001, que a sua entrada na política ocorreu em função do não atendimento aos seus constantes pedidos para a conservação das estradas que ligavam o seu bairro, Pica-Pau à cidade. Na época o Prefeito era o Sr. José Quirino Cavalcante, que por sinal, haviam trabalhado juntos por ocasião da eleição.

 

O município recém-emancipado não possuía sequer prédios próprios para o funcionamento administrativo da Prefeitura e da Câmara de Vereadores. Os Poderes Legislativo e Executivo funcionaram durante muitos anos juntos, num mesmo prédio alugado.

Além dos problemas e dificuldades citados e emergidos das situações anteriormente relatadas, o Município teve de enfrentar outros enormes desafios, tais como: o Prefeito, de Santo Anastácio na época, Luiz Stauti, que ferozmente lutou contra a emancipação, reteve praticamente toda a arrecadação dos impostos que Mirante do Paranapanema tinha direito no exercício de 1954, quando este, por razões obvias , ainda não possuía Prefeito, apesar da criação do Município ter ocorrida no final de 1953. Vale destacar que o Bairro Palmital era o que apresentava a maior produção agrícola do Município de Santo Anastácio. Não somente por esse fato, mas até por questões legais e éticas, o Município de Santo Anastácio deveria ter agido no sentido de facilitar o desenvolvimento do novo parceiro vizinho. Mas o rancor da separação, não muito amigável, acabou determinando a seqüência dos procedimentos.

Numa tentativa de prejudicar diretamente Mirante do Paranapanema, quando, no final do ano de 1952 e no decorrer de 1953, começou aquela "onda " da emancipação, a Câmara de Vereadores de Santo Anastácio, aprovou um projeto de lei isentando de pagamento de impostos municipais, por dez anos, todas as indústrias de beneficiamento de gêneros agrícolas, olarias e serrarias daquele Município, como sabemos, a área de Mirante do Paranapanema pertencia àquele Município. Com isso, nos primeiros anos de emancipação político-administrativa, a arrecadação municipal de Município de Mirante do Paranapanema, que já era irrisória, ficou ainda menor. Com as obras e serviços essenciais por realizar, dá para imaginar o quanto foi difícil e penoso para a superação das dificuldades que se apresentavam.

Com relação à arrecadação de impostos, um outro problema aconteceu envolvendo agora o Povoado de Teodoro Sampaio. Aconteceu o seguinte: Marabá Paulista e Mirante do Paranapanema foram criados numa mesma data, 30/12/1953. Marabá Paulista emancipou-se de Presidente Epitácio, que por sua vez, possuía em seu território o Povoado de Teodoro Sampaio. Com a nova reorganização do espaço territorial, Teodoro Sampaio passou a pertencer Mirante do Paranapanema. Aproveitando-se da falta de informação, suponho eu, de parte dos habitantes de Teodoro Sampaio, a Prefeitura de Marabá Paulista, exigia que os proprietários de terras e comerciantes daquela área recolhessem seus impostos municipais devidos aos cofres daquele Município e não aos de Mirante do Paranapanema. Conclusão, Mirante do Paranapanema, que como afirmamos, já enfrentava sérios problemas para conservar suas estradas, tinha que prestar, até por força de lei, esse serviço na área de Teodoro Sampaio, e em contra-partida, alguns de seus comerciantes e proprietários de terras recolhiam impostos em outro Município. Só para se ter uma idéia, quando o Município de Mirante do Paranapanema foi criado, ele possuía uma área territorial quase o dobro do que é hoje, abrangia praticamente todas as áreas dos atuais Municípios de Teodoro Sampaio e Euclides da Cunha Paulista.

A falta de experiência dos políticos de Mirante do Paranapanema daquela época nas áreas administrativas e legislativas, somada aos escassos recursos econômicos disponibilizados, a pouca leitura da maior parte de seus políticos e a esperteza dos políticos de fora, dá para imaginar o quanto foi espinhoso para a coletividade mirantense superar todos aqueles cruciais e terminantes momentos de sua história. O que gostaríamos de destacar em tudo isso é que a boa vontade, pelo menos no início do fortalecimento do Município, não faltou aos políticos da época, realmente eram bons serviços prestados à coletividade sem receber qualquer remuneração, tanto Vereadores como Vice-Prefeitos. Somente o cargo de Prefeito era remunerado, mesmo assim com uma importância insignificante.

Apesar de pessoas, mesmo quem não conheceu viveu exaltarem o esperançoso período áureo do algodão e do café nas décadas de 1950/60, a veracidade é que a construção da infra-estrutura do Município de Mirante do Paranapanema, tanto na cidade, Distritos e como nos bairros rurais, foi feita, e até hoje ainda se busca fazer, com muita dificuldade e sacrifícios. As mobilizações sociais, na busca das implementações e conquistas para o Município, no conjunto dos problemas sociais e físicos, sempre se depararam com barreiras políticas, religiosas, muitas vezes dissimuladas e impingidas por instâncias singulares, que trouxeram não somente o atraso na sua consecução, mas muitas delas até inviabilizando-as. Somando-se a tudo isso as dificuldades financeiras pelas quais, as constantes crises nas atividades do campo trouxeram às receitas municipais, ligadas ao empobrecimento de seus habitantes, podemos constatar que determinados prédios públicos e religiosos, instalações e funcionamento de instituições jurídicas, sociais e culturais, demandaram anos e até décadas para suas consecuções. Em muitas buscas a carência pela aptidão da propriedade coletiva, trouxe para muitas pessoas bem intencionadas, a dificuldade pela mobilização social para a busca dos problemas que permeiam a da história deste Município. Essa identidade e cultura, que pode e deve ser contestada nas suas contradições, se encontra embutida, de forma alienada nas mentes de muitas pessoas. Com tudo isso, entendemos, empobreceu o debate e o enfretamento da real situação da realidade vivida por esse, perpetuando dessa forma, ao longo da construção do Cinqüentenário de Mirante do Paranapanema, o encontro das soluções dos problemas que se acumularam, quem sabe, por desconhecimento de alguns, omissões de outros ou até mesmo por ações inconseqüentes de alguém. "Cada um de nós constrói a sua história", já escreveu Almir Sather.

 

A REALIDADE SÓCIO-ECONÔMICA NAS PRIMEIRAS DÉCADAS

O primeiro Orçamento Municipal fixou a Receita em CR$1.914.000,00 e a Despesa em igual importância. A arrecadação de municipal de imposto em 1955 foi CR$ 1.712.66,40 e de CR$2.161.766.00 no ano de 1956. Para o ano de 1957 (3º) Orçamento a Receita foi fixada em CR$ 5.860.000,00 e igual importância para as Despesas. Em 1962, tanto a Receita como a Despesa ultrapassavam trinta milhões de cruzeiros.

Os valores acima citados, à primeira vista parecem astronômicos, o cruzeiro já naquele período se encontrava extremamente desvalorizado.

As estatísticas agrícolas do ano de 1961 informam que o Município possuía 1.189 propriedades agrícolas; 5 Grupos escolares de Ensino Primário; 41 escolas primárias isoladas (administradas pelo Estado) além de 7 escolas primárias isoladas municipais, e um Ginásio Estadual na sede do Município. A população em 1960 era de 29.894 habitantes, sendo 3.976 na zona urbana (sede do Município); 918 na zona suburbana (Distritos) e o restante, 26.000 moravam na zona rural. Como podemos concluir por esta distribuição espacial da população, todas as atenções dos poderes públicos, tanto para a prestação de serviços, quanto para o "retorno" em forma de votos nas eleições, estavam voltadas para o homem da roça. Quando do final da década de 1960 e início dos anos 70, a agricultura, não só neste Município, mais em todo o país, entrou em decadência, ocorreu o êxodo rural. A cidade de Mirante do Paranapanema, cujo comércio vivia na dependência das atividades agrícolas, entrou em colapso, foi quando apareceu o trabalhador "bóia-fria". São aqueles antigos arrendatários, meeiros e até pequenos proprietários de terras que foram expropriados dos seus meios de produção, que não encontrando emprego na cidade, e nem de ir para os grandes centros urbanos, é obrigado agora a voltar ao campo e ser condição afirmativa para a miséria, apesar de negar a pobreza e sonhar com o sucesso. Muitos até, enganosamente, acreditavam que seria mais vantajoso morar na cidade e trabalhar como "bóia-fria", do que tocar a sua própria lavoura.