Cuiabá Paulista

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A intenção inicial do Sr. Kosuke Endo, quando comprou a FAZENDA CUIABÁ e implementou a sua colonização. era formar uma cidade com o nome ARACAÚNA, mas depois acabou conservando o nome CUIABÁ para o Patrimônio, acrescentado apenas "PAULISTA", segundo ele, para diferenciar de Cuiabá – MT.

O Distrito de Cuiabá Paulista, que tem como seu fundador o Sr. Kosuke Endo, foi criado pela Lei nº 2456 de 30/12/1953 no Município de Mirante do Paranapanema e Comarca de Santo Anastácio.

 

A PROPRIEDADE

A FAZENDA CUIABÁ, com 13.840 alqueires, comprada por Kosuke Endo, do Dr. Otávio Cândido Teixeira, mesmo com muito esforço no ano de 1949, foi completado o seu pagamento no ano de 1951. Isso fica comprovado quando em documentos o vendedor acusa o recebimento dos devidos numerários envidados mensalmente.

A qualidade das terras adquiridas por Kosuke Endo, comprova a sua predestinação para o sucesso. Ali foram construídos os espaços geográficos mais ricos do Pontal do Paranapanema nas décadas de 50 a 70. Em função da excelente fertilidade do solo, ali floresceu abundantemente, no início da colonização, a cultura do café, e depois também, o algodão. Já nos primeiros anos da década de 50 foram colhidas as primeiras safras de café. Em 1959, só no Bairro Novo Paraíso, a colheita perfez um total 58.572 sacas, com envolvimento, direto, de 1.775 trabalhadores.

O Distrito de Cuiabá Paulista por pouco não adquiriu relevância econômica no cenário nacional, pois no início da década de 80, o então governador do estado, Dr. Paulo Maluf, implantou uma grande empresa chamada PAULIPETRO, que tinha como objetivo, encontrar petróleo e gás natural nessa área que faz parte da Bacia do Rio Paraná. Na prospecção houve até indícios da presença de gás, mas no final o projeto se transformou num grande engodo, muita frustração e muito dinheiro desperdiçado. Mas, enquanto isso, o Distrito foi alvo de destaque por todos os meios de comunicação do país.

A exuberância das terras da área foi assunto de destaque até no Japão, e em conseqüência disso, não foram poucas as famílias que aqui chegavam diretamente do país do "sol nascente". Agora mais um pedacinho daquele país estava sendo criado às proximidades da convergência de dois grandes rios: Parará e Paranapanema.

As festas anuais de confraternização, no dia 01 de maio e 07 de setembro, envolvendo as disputas esportivas entre seis bairros colonizados exclusivamente por japoneses, eram acontecimentos de chamava à atenção de muitas pessoas do interior paulista, e contava com a presença de inúmeros visitantes, que retornavam encantados com as realizações. Havia prêmios para todos os que participassem e comidas típicas eram servidas à vontade. Os enfeites ornamentais típicos, as apresentações de danças e músicas, davam realmente a impressão de estar em alguma parte do Japão.

 

ÁREA PARA CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS

O Sr. Kosuke Endo, fazia questão de doar áreas de 10 alqueires para cada bairro construir a sua própria escola e ainda ajudava com material para a sua construção. A primeira escola a ser construída, ainda de madeira, no Distrito de Cuiabá Paulista, GRUPO ESCOLAR "KOSUKE ENDO", ocorreu já em 1952, mas só foi criada em 17/01/54, instalada em 01 de fevereiro e inaugurada em 07 de março do mesmo ano.

Com isso fica patente a grande preocupação que o Sr. Kosuke tinha com a educação. Isso se justifica pela sua própria origem, pois os japoneses sempre colocam a educação em primeiro lugar. Apesar de ter apenas a formação do Ensino Médio, conseguida ainda no Japão, o Sr. Kosuke Endo era uma pessoa muito culta e preocupada com o futuro nas novas gerações. Praticamente dos os filhos dos japoneses freqüentavam as escolas, o que, infelizmente, fato semelhante não ocorria em determinadas áreas colonizadas no município, na mesma época, por imigrantes oriundos do nosso próprio país.

Todos os contemporâneos do Sr. Kosuke Endo, só guardam boas lembranças dos tempos de convívios. Em face da morte prematura, lamentavelmente ele não pode constatar o esplendor econômico, social e cultural que se transformou o seu pedaço de chão.

Não há qualquer reclamação dos compradores de suas terras, pois todos pagavam como podiam, à longo prazo e sem juros.

 

KOSUKE ENDO: A VIDA E A OBRA DE UM HOMEM

No dia 05 de setembro de 1907, nascia na Província de Fukushima, no Japão, um homem predestinado a grandes realizações. Era Kosuke Endo. Nesse dia, seus pais estavam longe de pensar que aquele menino franzino, mas que logo se mostrava ativo e estudioso, ao completar 20 anos, se aventurasse, sozinho, sem a companhia de um parente, a emigrar para o Brasil.

Na nova terra, distante do torrão natal, sua vida foi um intenso labor, desde o dia em que desembarcou no porto de Santos. Foi parar numa fazenda de café, em Xavantes, na Sorocabana, de propriedade do Coronel Otacílio Nogueira, ruralista abastado que vivia na capital do estado.

O trabalho na lide árdua da agricultura, porém, não era, positivamente, a destinação de Kosuke Endo.

Sua inteligência clara logo o iria dirigir para Paraguaçu Paulista, onde foi trabalhar em uma máquina de café, de propriedade de um patrício seu. E não demorou para que sua aptidão fosse reconhecida pelo patrício, que em breve lhe entregava a gerência da máquina, satisfeito de ter encontrado pessoa capaz e honesta, em quem podia confiar, tal era a dedicação, o esforço, a eficiência de Kosuke Endo, sempre atento às responsabilidades que assumia, tomando a direção dos negócios que lhe foram confiados.

Os negócios da máquina de café que passou a dirigir, até então desenvolvidos em rítmico acanhando, agora, entregue às mãos firmes do novo gerente, apesar de sua pouco idade, estavam em franco progresso. A freguesia aumentava, atraída pela certeza de encontrar cortesia e honestidade por parte do novo gerente. Beneficiava e despachava os cafés, prestava contas rigorosamente exatas, e isso satisfazia a todos.

Quando tudo ia bem, a máquina em situação sólida, os negócios aumentando, eis que um fato doloroso ia deixar por terra todo o esforço, o trabalho eficiente do gerente Kosuke Endo.

O fato foi que o proprietário, de posse de conhecimentos de cafés despachados para Santos, viajou para São Paulo ou para Santos, com o objetivo de caucionar aqueles conhecimentos com as casas exportadoras e levantar o numerário necessário ao atendimento do pagamento aos lavradores que tinham vendido seus cafés ao proprietário da máquina.

Aconteceu que o proprietário da máquina, depois de caucionar os conhecimentos e levantar o dinheiro, foi visitar o Cassino da Vila Sofia, em Santo Amaro. Não resistindo às tentações do pano verde, aquele dono da máquina de Paraguaçu Paulista perdeu todo o dinheiro que recebera.

No dia seguinte, envergonhado, temeroso do que pudesse acontecer em razão do ato impensado, fugia para Mato Grosso (o proprietário da máquina), indo parar em um garimpo chamado Lajeado, nos lados de Aquidauana.

Desapontado com o procedimento leviano do proprietário, Kosuke Endo, passou a procurá-lo, até que o foi encontrar no garimpo, que ficava situado distante de Campo Grande cerca de 150 quilômetros.

Tudo, porém, estava perdido. O proprietário estava sem dinheiro, envergonhado, desesperado, sem saber o que havia de fazer. Então Kosuke Endo o animou, fazendo-o compreender que sua obrigação era enfrentar a situação, ainda que corresse riscos inauditos.

Ele, Kosuke Endo, porém, ia deixar a gerência da máquina. E assim o fez, sem receber seus salários.

Estava, então, o moço esperançoso e trabalhador, honesto e eficiente, sem emprego e sem dinheiro. Só não lhe faltava o ânimo para trabalhar e o desejo de dias melhores.

Novamente ia Kosuke Endo recomeça tudo! E como é difícil começar de novo! É preciso que a criatura tenha ânimo forte, determinação inflexível. Tais predicados, todavia, jamais faltaram a Kosuke Endo, em quem a vontade era característica predominante, sua coragem era enorme.

Um tanto decepcionado com o insucesso da máquina de Paraguaçu Paulista, lá se foi para Bastos, em busca de emprego, o jovem Kosuke Endo.

Naquela época o então distrito de Bastos, da comarca de Marília, tinha uma população constituída, em grande parte, de japoneses, dando ao que ali chagasse a impressão de encontrar-se em uma parte do Japão. A agricultura racional nos inúmeros pequenos sítios em que se subdividia a zona rural, o comércio intenso, os hábitos e costumes, a língua ali falada, em tudo, até na indumentária, denunciava a marca nipônica.

Para o jovem Kosuke Endo, se não fosse acolhedor aquele ambiente, também não seria hostil, porque iria conviver com seus patrícios, falar a sua língua, comer da suas iguarias.

Tinha ele, entretanto, necessidade de um emprego, era esse o seu aflitivo problema, desprovido estava de recursos.

Mas não lhe foi difícil encontrar uma ocupação, era de boa aparência, simpático, ameno no trato, e não tinha qualquer exigência em matéria de remuneração. Foi assim que Kosuke Endo encontrou como caixeiro no armazém de secos e molhados, estabelecimento de nível médio, pertencente ao velho Maehara. Teve a carteira profissional registrada em 01/10/1933.

Sua desenvoltura, tomando interesse pelos negócios e atendendo bem os fregueses, foi logo observada pelo proprietário do armazém, que, dias depois, o chamava para cuidar dos serviços do escritório. Na nova função a atuação de Kosuke Endo, foi agradável revelação para o velho Maehara, que via o novo funcionário em atividade constante, procurando organizar as contas e os papeis, demonstrando evidente eficiência.

Sem dúvida estava lançada a sorte de Kosuke Endo, ia ele recomeçar a caminhada interrompida em Paraguaçu Paulista, firmar seu conceito de organizador.

E assim foi realmente.

Não demorou muito e o velho Maehara falecia, mas o seu negócio, sua casa comercial, ia continuar progredindo, agora sob a direção do gerente Kosuke Endo, em boa hora conservado pela viúva Maehara, possivelmente aconselhada pelo falecido esposo, antes do desenlace.

Vemo-lo na nova gerência, ocupada durante mais de 14 anos, fazer aquele armazém transmudar-se em casa atacadista, no ramo de secos e molhados, e expandir-se também com oficina mecânica, casa de peças genuínas, agência distribuidora de automóveis e caminhões.

Depois de prestar assinalados serviços a viúva Maehara, Kosuke Endo, já casado com Da. Shizue Matsura , (casamento realizado em 23 de abril de 1945, em Tupã), resolveu trabalhar para a sua própria família. Desenvolveu então grande atividade, no ramo imobiliário, tornando-se verdadeiro colonizador.

De fato, adquiriu, (em janeiro de 1947), em sociedade com seu amigo e compadre, Dr. José Garcia da Silveira Sobrinho, que desde muito tempo antes era seu advogado, uma grande gleba de terras do Coronel Cândido Teixeira, com 13.840 alqueires, na Fazenda Cuiabá, no Vale do Paranapanema, na comarca de Santo Anastácio.

Iniciada a colonização de modo racional, dividida a gleba em sítios pelo saudoso engenheiro Benício Mendonça Filho, as vendas passaram a ser feitas e os núcleos foram se formando.

Mas, não demorou para que alguns grileiros aparecessem tentando apoderar-se das terras. Foi então que o trabalho, a eficiência, a coragem, a confiança de Kosuke Endo naquele empreendimento, e ampara profissional do seu amigo e advogado, em esforços conjugados, a exigir de ambos enorme esforço e dedicação, puderam reprimir a cobiça dos aventureiros.

Enquanto o advogado cuidava da defesa dos direitos sobre as terras, Kosuke Endo exercia a administração daquele notável empreendimento, montando uma serraria, formando invernadas, localizando os primeiros adquirentes, abrindo estradas de penetração na gleba.

Com seu espírito empreendedor, Kosuke Endo logo pensou em fundar o distrito de Cuiabá Paulista, vila que logo atingia nas ruas bem traçadas pelo Dr. Benício Mendonça Filho um número considerável de casas, um grupo escolar, igreja. Por todos os lados o progresso era visível. Aquela gente vivia feliz, cheia de esperança, porque, na justiça, a vitória do advogado foi espetacular, firmando a certeza dos títulos de domínio e da posse da Fazenda Cuiabá, o que dava segurança aos proprietários, e logo surgiam os lisonjeiros comentários, para firmar o elevado conceito de Kosuke Endo. Fazia ele uma perfeita colonização, que, se levada a notícia aos seus parentes na sua terra natal, haveria de os surpreender, pela enorme extensão da área. Mas o que mais os havia de envaidecer seria por certo aquele empreendimento correto, dando felicidade para tanta gente.

Estava no auge o prestígio de Kosuke Endo, graça aos seus esforços, à sua dedicação, aos seus dinamismo durante seis anos naquele pedaço de sertão paulista, agora tomado pelo progresso, e novas e fabulosas riquezas estavam ali surgindo como recompensa ao trabalho por ele desenvolvido, quando o dedo da fatalidade veio tarjar de negro uma página da história do desbravamento do oeste paulista.

Na noite de 31 de março para o dia 1º de abril de 1953, um acidente de automóvel alcançou Kosuke Endo. Levado para o hospital da Lucélia, prestados a ele todos os socorros, logo se espalhou a notícia da gravidade do seu estado de saúde.

Os médicos, sem esperança, previam breve desenlace que, efetivamente, se deu na madrugada triste de 07 de abril de 1953. Falecia Kosuke Endo, o moço japonês que bem simboliza o jequitibá paulista, pela sua energia serena, pelo seu denodado esforço, esforço que é exemplo edificante, de honradez, de perseverança, de trabalho.

Kosuke Endo foi verdadeiramente um herói do trabalho, É por isso que o seu busto, colocado em uma praça de Cuiabá Paulista, cercado de árvores de jequitibá, simboliza o trabalho, o amor, a dedicação. É convite perene ã posteridade para que sigam seu edificante exemplo.